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. Ingredientes para a
vida
. Impostos e justiça
social
.
Jesus: venceu, vive,voltará
.
Amputações que trazem benefícios
. Escola
dominical faz 150 anos
. Ninguém sabe,
ninguém viu
. Dízimos e dividendos
. Carnaval: ópio do
povo
. Da
manjedoura ao calvário
. A farda e o
crime
. Visão do alto
.
Desequilíbrio e extinção
.
Duvidando do poder de Deus
. Personal fé: um
exercício saudável
. O dia que esqueceremos da morte
.
Comunhão: lembrança diária
. Um médico
especial
. Herdeiros
dos céus
.
Liberdade duradoura ou vingança infinita?
. Leis
temporais e princípios eternos
. O
seqüestro da independência
. A divindade da mídia eletrônica
.
Religião e solidariedade
. Congregacionais:
pioneirismo evangélico
.
Reconstruindo a imagem de pai
. O
dom profético da Igreja
.
Evangelho: loucura para os sábios
. Fé e Finanças
. Direito a quê?
. O nosso
sofrimento indígena
Ingredientes para a
vida
Luiz Carlos Souza
Como para se preparar uma receita de bolo ou qualquer tipo de alimento, a vida requer ingredientes indispensáveis para o seu bom
funcionamento que pode torná-la mais saudável e feliz. O apóstolo Paulo após
brilhante dissertação a respeito do amor, que foi cantada em prosas e versos,
“ainda que eu falasse a língua dos homens e dos anjos, se não tivesse amor seria
como um metal que soa ou como um sino que retine”, (I Corintios:13), coloca três
ingredientes que considera de suma importância para nossa vida: “Agora
permanecem a fé, a esperança e o amor. Estes três, porém o maior destes é o
amor”. Considerar a vida sem esses elementos é torná-la vazia, infeliz e
infrutífera.
Muito se tem falado e discutido sobre amor, porém, quando
vemos tanta violência, tanto ódio e tantas falcatruas, ficamos a pensar se ele
realmente existe. No mundo moderno somos cada vez mais chamados a uma vida
competitiva onde não encontramos espaço nem tempo para o outro. O corre-corre do
dia a dia leva-nos a nos ocupar com os nossos afazeres, esquecemos que do nosso
lado há alguém precisando de um apoio, de uma palavra amiga ou de um pedaço de
pão. As nossas lutas são tantas que as vezes ficamos insensíveis com o
sofrimento alheio. Quantos de nós reserva um tempo para conversar com um menino
de rua, visitar um enfermo que não seja parente, ou fazer uma visita a um abrigo
de velhos ou a uma penitenciária? Quantos de nós leva um lençol ou um prato de
comida para um morador de rua, mesmo sabendo que estes existem aos milhares em
nossas cidades?
Em seu discurso sobre o amor o apóstolo Paulo disse que o
amor é sofredor, é benigno, não é invejoso, tudo sofre, tudo crê, tudo espera,
tudo suporta. O amor é doação. É compartilhar com as alegrias e com o sofrimento
do outro. É estar do seu lado nos momentos mais difíceis. Amar é respeitar o
outro, compreender as suas diferenças, ajudar nas suas fraquezas, perdoar quando
este lhe ofender, corrigí-lo quando necessário, levantar quando o outro cair.
Amar é dar uma palavra amiga de ânimo, de exortação e de carinho. Jesus nos
ensinou que o amor a Deus e ao próximo deve ser prioritário em nossas vidas.
Na parábola do bom samaritano Ele ensinou como deve ser o
amor ao próximo: desprendido, incondicional e sem esperar recompensa.. Ele ainda
demonstrou com a sua própria vida o verdadeiro amor de Deus. “Porque Deus amou
ao mundo de tal maneira que deu seu Filho Unigênito para que todo aquele que
Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”(João 3:16). O outro ingrediente
que o Apóstolo menciona é a fé. Ele mesmo a define como “o firme fundamento das
coisas que se esperam e prova das coisas que não se vê.” A fé é o dínamo que
impulsiona nossa vida, nos conduz à vitória e nos motiva a atingirmos os nossos
objetivos. Nossa fé deve ser firme, constante e persistente; não devemos
desanimar nos momentos difíceis. A fé deve ser bem direcionada.
Não devemos depositar nossa fé em bases falsas, em coisas
ou pessoas que não pode nos ajudar. Cristo, o Filho de Deus, é o único em quem
podemos realmente confiar. Jesus disse que “tudo que pedirdes ao Pai em meu nome
eu farei.”(Ev, de João 15). A fé foi a condição exigida por Cristo para que
possamos atingir a nossa salvação, bem como para que os nossos pedidos sejam
alcançados. “Não te disse eu, se creres verás a glória de Deus?”(Ev. João.11).
Jesus afirmou que se tiverdes fé do tamanho de um grão de mostarda direis a este
monte passa daqui para acolá e será feito. Isso significa que não há impossíveis
para aquele que crê. O terceiro ingrediente é a esperança. Esperança é a certeza
de que temos algo pela frente muito melhor do que estamos vivenciando hoje. É a
confiança de que alguma coisa vai mudar e que Deus tem algo melhor para nós.
No mundo em que vivemos tão cheio de problemas, devemos
confiar que Deus está no comando e ter esperança de que Ele virá para
estabelecer a ordem das coisas. Deus cumpre as suas promessas. O Apostolo Paulo
escrevendo para seu amigo Timóteo, afirma que “Deus é o nosso Salvador e Jesus
Cristo é esperança nossa.” Nossa esperança deve estar firmada nas promessas
daquele que, através da sua morte e ressurreição, nos garante a vida eterna. O
apóstolo disse que não devemos nos entristecer como os demais que não tem
esperança. Alguns cristãos do primeiro século aguardavam a volta de Cristo para
aqueles dias, como isto não aconteceu ficaram desanimados. Paulo escreve
fortalecendo a fé e a esperança, afirmando que um dia, não determinado, Cristo
voltará e resgatará os seus, conforme Ele prometeu. (I Tess.4,5) Essa deve ser a
nossa esperança. Os ingredientes da fé, esperança e amor devem fazer parte do
dia a dia das nossas vidas. É uma maneira sábia para alcançarmos uma vida feliz.
Impostos e
justiça social
Luiz Carlos Souza
O governo brasileiro comemora uma
arrecadação de impostos recorde, que deverá fechar o final do ano acima dos
oitocentos bilhões de reais, valores estes extraídos do bolso do povo. Todos
sabem que, além de impostos pagamos juros extorsivos que engordam as poupanças
(físicas e econômicas) dos banqueiros. Não se entende porque os bancos pagam uma
taxa de 11,25% ao governo e cobra do povo em média 140% de juros nos cheque
especiais e cartões de crédito. Não satisfeitos, ainda cobram tarifas de todo
tipo que retiram dos trabalhadores e aposentados parte dos seus proventos, para
no final do ano contabilizar os bilhões de reais de lucro. Brigou-se tanto por
causa da CPMF, que correspondia a 0,38% de qualquer operação bancária, e ninguém
questiona as alíquotas de 15% e 27,5% do Imposto de renda, que sugam as
economias de grande parte dos assalariados. O trabalhador brasileiro é vitima
das maiores explorações econômicas do mundo, paga de impostos o equivalente a
quatro meses de trabalho por ano.
É lamentável que, apesar desta polpuda
arrecadação, comemorada pelo governo, diga-se de passagem, o presidente Lula, em
um dos seus discursos, disse que o Brasil não precisa ter medo de arrecadar
mais, o que se espera que mais “bombas” ainda virão pela frente. Vivemos em um
país das maiores disparidades sociais do mundo. Não precisa ir longe para vermos
milhões de pessoas desempregadas, dormindo nas ruas sem ter onde morar, ou
morrendo nos hospitais à espera de um atendimento, um sistema de saúde
extremamente precário, ensino público falido, estradas e rodovias esburacadas e
por aí vai. Se paga muito caro para ter uma boa escola ou uma boa assistência
médica; isso é privilégio de poucos. Hoje já estamos vendo os resultados desta
política equivocada que abandona as crianças nas ruas e deixa os pais à mingua.
Multiplicam-se as favelas nas periferias das cidades, aumenta a violência,
superlotam as cadeias e espalham fome e doenças por todo lado.
E para onde vai toda essa arrecadação
feita pelo governo? Temos uma máquina administrativa obesa, com excesso de
ministérios, secretarias, e órgãos que são criados a cada dia para atender a
interesses políticos. O nosso Congresso com seus quinhentos e cinqüenta
parlamentares, milhares de assessores e uma farta mordomia, custa aos cofres
públicos cerca de três bilhões de reais ao ano. Calcula-se que o custo de cada
deputado daria para pagar 680 professores do terceiro grau. Aliás, já existe uma
campanha por parte de alguns professores universitários solicitando a troca de
um parlamentar por 340 professores, o dinheiro restante seria aplicado na
construção e manutenção das escolas e universidades. Se isso fosse levado a
sério acredito que teríamos uma melhora considerável no ensino do nosso país e
ficaríamos mais aliviados das tramóias e falcatruas feitas por grande parte dos
parlamentares, que tem envergonhado a nação e, na maioria das vezes, permanecem
impunes. Os parlamentares restantes teriam que trabalhar cinco dias da semana
como todo o brasileiro; reduzir os seus períodos de férias e se aposentar com
sessenta e cinco anos ou trinta e cinco anos de trabalho; com essa mudança
teríamos o fim das convocações extras e dos famigerados getões.
Não são apenas os deputados que levam o
dinheiro dos impostos. No Brasil existe uma casta de elite cheia de privilégios
e mordomias comparadas à dos imperadores romanos, mesmo mudando o governo
continuam com as mesmas regalias, a custa da miséria e pobreza dos milhões de
brasileiros. Ministros, juizes, secretários, militares do alto escalão ganham
muito mais que um professor universitário com dedicação exclusiva ou que um
médico plantonista que dá a sua vida para salvar a vida dos outros.
Nesta coluna que trata de religião
porque dizemos estas coisas? Como cristãos não devemos ficar passivos diante de
uma política extorsiva e injusta e um poder econômico capitalista perverso
impostor por empresários inescrupulosos, que visam tão somente seus próprios
interesses. Não devemos compactuar com qualquer tipo de injustiça seja ela de
que partido for. Como os profetas do Antigo Testamento devemos anunciar que Deus
fará justiça em toda a terra, e em breve: “Ai dos que decretam leis injustas, e
dos escrivães que escrevem perversidades, para privar da justiça os pobres, e
para arrebatar o direito dos aflitos do meu povo, despojando as viúvas e
roubando os órfãos!”(Isaías 10:1). O que o nosso País precisa é uma postura mais
ética por parte dos governantes, políticas justas que atendam os apelos dos
necessitados, de uma distribuição de renda mais justa e menos exploração
econômica. Não é somente aumentando impostos que se governa, mas com redução de
despesas, evitando os desperdícios, com combate à corrupção e à impunidade que
são as maiores vergonhas nacionais. Deve-se administrar os recursos do povo com
responsabilidade. Faz-se urgência neste país uma mudança de comportamento, do
grego “metanóia”, conforme nos ensinou o Senhor Jesus: “Amar a Deus sobre todas
as coisas e ao próximo com a ti mesmo”. Nenhum cargo, nenhum governo, nem mesmo
esse sistema político são eternos. Um dia todos teremos de prestar contas a Deus
pelos nossos atos. Aí não haverá mais “pizzas”.
O autor é bacharel em teologia e membro
da Igreja Evangélica Congregacional de Salvador.
Luizsouza_ba@yahoo.com.br
Jesus:venceu,
vive,voltará
Luiz Carlos Souza
O nascimento de Jesus foi anunciado
pelos profetas do Antigo Testamento por mais de quinhentos anos antes da sua
chegada. Os anúncios foram tantos que pessoas comuns, que não conheciam muito
acerca das Escrituras, como a mulher samaritana, sabiam que o Messias viria e
“iria nos ensinar todas as coisas” conforme foram suas palavras com o próprio
Messias. O Rei Herodes mandou consultar os magos para saber onde nasceria o
Salvador, não conseguindo encontrá-lo, mandou matar todas as crianças de Belém
com menos de dois anos.
A vida de Jesus foi marcada pelo
sofrimento, amor ao próximo, desprendimento e muita luta cujo objetivo principal
era a salvação da humanidade. A maneira como Ele pregou as boas novas, os
milagres operados que atraíram multidões, sua luta contra os fariseus por uma
religião mais autêntica e humana, a quebra de alguns princípios como, curar em
um dia de sábado gerou a inveja e perseguição das autoridades religiosas da
época, que decidiram pela sua morte. Jesus não se intimidou com as ameaças, Ele
tinha uma missão a cumprir e foi até o fim. A sua morte na cruz não foi uma
fatalidade histórica, nem um desse infortúnios que passamos na vida que muitas
vezes não temos uma explicação lógica, mas, foi parte do plano de Deus para
nossa redenção. A sua morte foi o único meio encontrado por Deus para remissão
dos nossos pecados. O profeta Isaias já havia prenunciado: “Ele foi ferido pelas
nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades, o castigo que nos traz a
paz estava sobre Ele e pelas suas pisaduras fomos sarados”(Isaías 53:5). Jesus
sabia todo o sofrimento que iria passar, mas não recuou, o cálice era difícil e
amargo, mas ele bebeu por amor de todos nós.
A morte de Cristo, que para os judeus
era o fim de uma saga que eles imaginavam não ter muitas conseqüências, marca um
novo capítulo na história da humanidade. Assim como eles sabiam das profecias
referentes ao seu nascimento, também sabiam do anuncio da sua ressurreição. De
nada adiantou colocar guardas para vigiar o sepulcro e espalhar a mentira de que
os discípulos haviam roubado o seu corpo. Jesus ressuscitou! Foi a vitória da
vida sobre a morte, do bem sobre o mal, do amor sobre o ódio, da verdade sobre a
mentira. Foi a vitória do poder de Deus. O apóstolo Pedro em seu discurso para
os judeus afirmou: “Mas Deus o ressuscitou, soltas as ânsias da morte, porque
não era possível que fosse retida por ela” (Atos 2:24).
A ressurreição de Cristo veio
oportunizar ao homem uma nova relação com Deus. Seu projeto inclui a
participação humana de fé no seu sacrifício, obediência à sua palavra e amor
para com o próximo. A reconciliação com Deus se dá na medida em que aceitamos o
seu Filho como Senhor e Salvador. A mensagem do Evangelho atingiu milhões de
vidas que foram transformadas, que saíram das incertezas desta vida e passaram a
uma atitude de fé, de esperança no Redentor. A sua mensagem ultrapassou as
barreiras da intolerância, das nossas incompreensões e mazelas, das perseguições
políticas e das guerras e está bem viva no coração de muitos dos seus
seguidores, que anseiam pela concretização do estabelecimento do seu Reino aqui
na terra. Dois mil anos já se passaram desde quando Jesus aqui esteve e
continuamos aguardando o seu retorno, conforme Ele nos prometeu: “Na casa de meu
Pai há muitas moradas, vou preparar-vos lugar. E se eu for preparar lugar virei
outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estou estejais vós
também.” (João 14:2-3).
A volta de Jesus foi amplamente
anunciada nos Evangelhos, nos atos dos apóstolos, nos ensinos do apóstolo Paulo
e no livro do Apocalipse. No momento de seu retorno aos céus dois anjos
apareceram aos discípulos e disseram: “Varões galileus, por que estais olhando
para as alturas? Este Jesus que dentre vós foi assunto aos céus, voltará do
mesmo modo que o vistes subir.” Em nenhum momento Jesus marcou data de quando
será o seu retorno, no entanto, deixou uma série de sinais que o antecederia. “E
ouvireis falar de guerras e rumores de guerras. Levantar-se-á nação contra
nação, reino contra reino, e haverá fome, pestes e terremotos em vários lugares.
Nesse tempo muitos se escandalizarão, trair-se-ão mutuamente e se odiarão uns
aos outros. Surgirão muitos falsos cristos e falsos profetas e enganarão a
muitos. E por se multiplicar a iniqüidade o amor de muitos se esfriará. E este
Evangelho do Reino será pregado por todo o mundo, em testemunho de todas as
nações. Então virá o fim.” (Mateus cap.24). Estas são algumas das profecias que
Jesus fez, alertando-nos para que estejamos preparados. A volta de Cristo será
marcada por tristeza e dor para aqueles que não creram e que terão de prestar
contas de seus atos e hinos de vitória para aqueles que nele esperam e confiam.
Ninguém estará imune ou isento diante de Deus. A sua Palavra nos garante que até
o mar dará os seus mortos; e que “todos nós teremos de comparecer diante do
Tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou mal que tiver feito
por meio do corpo.”(2Coríntios-5:10). Viver com o Senhor Jesus aqui neste mundo
é a melhor forma de nos prepararmos para o encontro com Ele na sua volta.
O autor é bacharel em teologia e membro
da Igreja Congregacional de Salvador.
Luizsouza_ba@yahoo.com.br
Amputações que trazem benefícios
Pr. Elvis Kleiber
Há uma citação bíblica em que Jesus fala de determinadas amputações que são
benéficas. “Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti;
pois te é melhor que se perca um dos teus membros do que seja todo o teu corpo
lançado no inferno. E, se a tua mão direita te faz tropeçar, corta-a e lança-a
de ti; pois te é melhor que se perca um dos teus membros do que vá todo o teu
corpo para o inferno.” (Mt. 5:29,30) Essas palavras simbolizam a necessidade de
uma ação preventiva contra o pecado. Pois, caso contrário, ele se alastra e pode
causar a destruição total da alma. As palavras de Jesus podem até soar como uma
espécie de radicalismo religioso doentio, mas sua aplicação vai muito além da
esfera espiritual. É o que, por exemplo, temos observado no atual cenário
político.
Depois de um pronunciamento em que afirmou que “se
necessário, cortaria na carne”, o presidente Lula se intitulou como “o principal
guardião da respeitabilidade das instituições deste País”. O tempo passou e, com
o avanço das investigações e as constatações de indícios da conivência de
integrantes da cúpula petista nas denúncias, a credibilidade do governo
desgastou-se ainda mais e o “corte na carne”, adiado, se transformou em pedidos
de afastamento pelas próprias vítimas. Primeiro, o ministro José Dirceu, agora,
o secretário-geral do PT, Silvio Pereira, e o tesoureiro Delúbio Soares. O certo
é que, para a opinião pública, não haverá tolerância para corrupção, quer esteja
ela movida pela máquina governante ou por aliados que passaram a ser rotulados
de “más companhias”. O desdobramento da crise é visível no desfacelamento do PT,
que passou a ter uma ala de esquerda que, antes das renúncias, já defendia o
afastamento imediato da atual direção partidária, em especial do presidente
nacional, José Genoino.
Agora, tardiamente para reagir à crise, Lula decidiu
fazer uma reforma ampla em sua equipe de governo, cargos do segundo escalão e
diretorias das principais estatais. A ordem é tirar do governo todos aqueles que
tenham sido citados em denúncias de corrupção. Haverá tempo de evitar uma
“gangrena” no governo? Por quais razões nomes como o do presidente do Banco
Central, Henrique Meirelles, sob investigação e com processo na Justiça
autorizado pelo STF (Supremo Tribunal Federal), e o ministro Romero Jucá, também
respondendo a processo, só agora são substituídos? E o que dizer da resistência
do próprio PMDB em aceitar a cortesia de novos ministérios em um governo que não
sabemos mais ao certo quem é aliado e quem é oposição, quem é culpado e quem é
inocente?
Porém, minha maior indignação durante a semana não foi exatamente a falta de
reação do governo em meio à crise mas, sim, a afirmação do presidente da Câmara,
deputado Severino Cavalcanti, que disse: “Da maneira como está indo a coisa, eu
estou vendo que não escapa nem Jesus Cristo.” Vou respeitosamente classificar
tal expressão apenas como herege, embora caibam também outros adjetivos. Se o
deputado Severino praticasse o que Jesus ensina sobre honestidade e integridade,
certamente ele seria um político muito diferente. Ele não compraria cargos e
privilégios por meio de sua atividade política beneficiando seus familiares. Ele
não prestaria um desserviço ao Estado de Pernambuco, do qual sou filho e conheço
de perto suas artimanhas eleitorais. Se o deputado Severino Cavalcanti tivesse
conhecimento do texto que citei no início desta reflexão, ele aprenderia que na
ética de Jesus “cortar na carne” é muito mais que um discurso, é um desafio para
que os homens amputem suas mazelas interiores mesmo que isso lhe custe qualquer
tipo de perda. Minha única reação agora é dizer como Jesus: “Pai, perdoa-lhe,
ele não sabe o que faz, nem muito menos o que diz.”
Escola dominical faz 150 anos
Pr. Elvis Kleiber
Todos os domingos, milhares de pessoas se deslocam para
uma escola muito especial, chamada de Escola Bíblica Dominical. Acontece que
poucos conhecem a história da fundação deste importante departamento, presente
em quase todas as igrejas evangélicas no País. A história da implantação da
Escola Bíblica Dominical se funde com o surgimento da Igreja Evangélica
Congregacional, que comemora amanhã, dia 19 de agosto, 150 anos de fundação. É a
primeira Igreja Evangélica fundada no Brasil. Mas essas conquistas vão além de
seus aspectos religiosos. Na esfera social, o congregacionalismo, na pessoa de
seu fundador, o médico e missionário escocês Robert R. Kalley, ocupa um lugar
honroso no movimento missionário protestante, destacado como pioneiro em países
de língua portuguesa dos dois lados do Atlântico. Lutando contra imensas
dificuldades sociais como médico e com uma ferrenha oposição religiosa como
missionário, ele foi instrumento para a consolidação de importantes avanços em
busca da cidadania e tolerância religiosa e racial que ainda hoje tantos
defendem.
Robert Reid Kalley (1809-1888), médico escocês, natural
de Mount Florida, nos arredores de Glasgow, nasceu no dia 8 de setembro de 1809.
Em 1829, diplomou-se como cirurgião e farmacêutico pela Faculdade de Medicina e
Cirurgia de Glasgow, tendo feito os seus estudos práticos no Hospital Real dessa
cidade. Em conseqüência do grave estado de saúde de sua esposa, resolveu ir para
a Ilha da Madeira, na costa portuguesa, aonde chegou em 1838. No ano seguinte,
foi ordenado ao ministério pastoral, no dia 8 de julho. Em 1840, fundou um
hospital e também enfrentou uma terrível perseguição, acusado de apostasia,
heresia e blasfêmia. Sua casa foi invadida e destruída por homens que tinham ido
eliminá-lo. Sem outra alternativa, depois da fuga embarcou com a família em um
navio inglês que partiria para as Índias Ocidentais. Após a morte de sua esposa,
casou-se, em 1852, com D. Sarah Poulton Kalley.
Em 10 de maio de 1855, aportava no Rio de Janeiro o
vapor Great Western, da mala real inglesa. Nele vinham, entre outros
passageiros, o Dr. Kalley e sua esposa, D. Sarah, para iniciarem nessa terra um
trabalho que duraria 21 anos e 57 dias. O Rio de Janeiro de 1855 era uma cidade
com cerca de 300 mil habitantes. Havia cerca de 50 igrejas e capelas espalhadas
pela cidade. A religião do império era a católica. Kalley, chegando ao Rio foi
instalar-se em Petrópolis, numa mansão conhecida como Gernheim, que significa,
“Lar muito amado”, antes habitada pelo embaixador dos EUA, Mr. Webb.
A primeira classe de Escola Bíblica Dominical se deu em
19 de agosto de 1855 com a iniciativa de sua esposa D. Sarah Poulton Kalley, que
reuniu em sua residência cinco crianças e contou-lhes a vida do profeta Jonas.
Naquele domingo surgia o primeiro trabalho evangélico em solo brasileiro, em
língua portuguesa e de caráter permanente. A evangelização continuou e, em 11 de
julho de 1858, foi fundada a primeira Igreja Evangélica do Brasil, chamada de
Igreja evangélica Congregacional Fluminense, no Estado do Rio de Janeiro. Robert
Kalley conquistou por sua habilidade, simpatia e integridade moral e ética, a
confiança da corte portuguesa tornando-se médico e amigo do imperador. Seu
trabalho filantrópico de atendimento médico logo repercutiu entre o povo, que
percebeu que o Dr. Kalley dedicava-se a todos os seus pacientes indistintamente,
oferecendo-lhes também uma mensagem de cura para a alma. Seu trabalho
missionário e sua luta em defesa da liberdade de culto e dos mesmos direitos
sociais para os não católicos romperam as barreiras do sectarismo.
Entre as principais conquistas destacam: o reconhecimento
oficial à liberdade de culto e ao casamento de não-católicos, registro civil dos
filhos e registro de óbitos em cartório para todos os não-católicos. Direito a
sepultamento em local reservado aos “protestantes” no cemitério público, até
então restrito aos católicos. Os primeiros protestantes que aqui chegaram em sua
grande maioria eram escravistas apesar de toda incompatibilidade entre a
escravidão e a fé cristã, não havia interesse na maioria em se opor à
escravidão. Neste período, Robert Kalley, abolicionista convicto, chegou a
expulsar um membro da sua igreja por não ter libertado os seus escravos.
Louvamos a Deus por esse legado histórico de luta em prol da tolerância e
igualdade religiosa e racial. Parabéns aos congregacionais e a todos os alunos
de Escolas Bíblicas Dominicais das Igrejas reformadas espalhados pelo Brasil.
Ninguém sabe, ninguém viu
Pr. Elvis Kleiber
Não é só a dinheirama envolvida no escândalo de
corrupção que surpreende os brasileiros, mas, sobretudo a capacidade de os
depoentes se esquecerem de fatos que, a menos que a psiquiatria me desminta, é
prova evidente de puro cinismo e hipocrisia. À medida que as investigações
avançam, parece-me que os acusados se tornam mais esquecidos e assumem como
defesa a tese insustentável de que não sabiam do movimento financeiro e não
participavam do esquema. Conseguiremos passar o Brasil a limpo? Como chefe da
Nação, não estaria na hora de o presidente Lula assumir publicamente os erros e
as responsabilidades inerentes à sua função? Ou continuará discursando como
candidato a reeleição quando outrora dizia que a instauração da CPI (Comissão
Parlamentar de Inquérito) dos Correios era manobra eleitoreira da oposição? O
povo brasileiro sofre toda esta decepção, porém precisamos enxergar o
amadurecimento político que toda esta lama de corrupção trará para a sociedade
no futuro. Embora não saibamos o que ocorrerá em 2006, o certo é que a voz da
opinião popular, muito diferente dos discursos dos depoentes na CPI, será
verdadeira e manifestada de forma irrevogável nas urnas.
Episódio semelhante ao que ocorre em Brasília
repetiu-se em Fortaleza-CE. Refiro-me ao assalto à sede do Banco Central, tido
como o maior já realizado no País. De acordo com a Polícia Federal, entre seis e
dez homens participaram da ação, descoberta na manhã de segunda-feira, dia 8,
com a chegada de funcionários. Segundo os peritos, o assalto foi planejado há
mais ao menos três meses, período em que os ladrões alugaram uma casa perto da
sede do banco, no centro da cidade. Eles reformaram o imóvel e montaram até uma
empresa de fachada, Gramas Sintéticas, de venda e plantio de gramas naturais e
artificiais, o que ajudava a justificar a retirada freqüente de terra, resultado
da escavação realizada em um dos cômodos da casa. Uma ação desta natureza, que
subtrai mais de 150 milhões de reais de um cofre onde teoricamente se diz que é
de segurança máxima e nada se vê e nada se sabe, mostra-nos que esse “vírus” se
alastra.
Há, no entanto, algumas semelhanças entre os dois
episódios. Primeiro, porque no escândalo de corrupção vemos irrefutavelmente a
aproximação pessoal e comercial entre os corruptores e aqueles que manipulavam e
exerciam o poder. Já em Fortaleza, a estratégia também foi a mesma, aproximar-se
ao máximo da “estrutura” (Banco Central), para poder saqueá-la posteriormente.
Outros fatores semelhantes são as estratégias dos dois esquemas. Em Brasília, a
corrupção possuía tentáculos que se ramificam em várias instituições públicas e
privadas e, ao que apontam as investigações, havia muita “competência” na ação
de corromper. O mesmo ocorreu em Fortaleza, onde vemos uma “equipe” altamente
profissional e organizada que, depois de aproximar-se do prédio do banco,
planejou os mínimos detalhes da operação milionária que surpreendeu os próprios
policiais. E, finalmente, as semelhanças se fundem no discurso dos depoentes ou
testemunhas. Em Brasília, anos e mais anos de corrupção e ninguém sabia do
esquema. Em Fortaleza, pelo menos três meses escavando um túnel onde foi
retirada uma quantidade de areia relativa a seis caçambas e subtraído o
equivalente a três toneladas e meia em notas de 50 reais e, da mesma forma como
ocorre em Brasília, ninguém sabe, ninguém viu.
Uma coisa sabemos com certeza, é que os “olhos” de Deus
estão por toda parte, contemplando a todos indistintamente. Ele continuará
promulgando e exercendo a única justiça que conhecemos que não se corrompe e não
falha. Essa é a nossa esperança!
Dízimos e dividendos
Pr. Elvis Kleiber
Vez por outra, recebo um e-mail de algum leitor, que me
questiona quanto ao que escrevo acerca dos próprios evangélicos. “Não deveria o
senhor usar esse espaço para pregar o Evangelho ao invés de criticar Igrejas e
líderes?” Escreveu-me com muita veemência um leitor. Como sempre faço com os
e-mails que recebo, respondi-lhe que procuro adotar uma postura ética, quando
comento acerca de nossas próprias feridas sem fingir que elas não existem. E
quando exponho algum outro segmento político ou religioso, procuro fazer não de
forma pessoal ou arrogante, mas, sobretudo, argumentando as questões com uma
preocupação apologética de quem sabe que, discurso profético, biblicamente
falando, não produz simpatia e popularidade. Iniciei esta reflexão com esse
comentário, por acreditar que poderei mais uma vez ser criticado. Mas que
importa? Certamente há muita gente como Confúcio, Galileu, Pitágoras e Jesus que
também foram mal entendidos e criticados. Estarei em boa companhia.
Não é novidade para os cristãos sentirem que algo
errado anda acontecendo com a Igreja de Jesus na terra. Ela como uma noiva que
deveria expressar o símbolo da beleza e pureza nupcial, encontra-se enrugada e
com sua moral comprometida pelos que a usam como um instrumento de conquista dos
dividendos da Terra. Embora haja muitas exceções entre sacerdotes e igrejas que
não pratiquem essa conduta mercadejante, os escândalos são inevitáveis. Li
recentemente algumas declarações de líderes de alas distintas do cristianismo e
percebi um ponto comum entre eles no que tange ao enfraquecimento do testemunho
da Igreja. Entre os cristãos católicos, o pronunciamento de Dom Eugênio Sales,
arcebispo emérito do Rio de Janeiro ao jornal do Brasil: “Dizem que são 122
milhões de católicos batizados no Brasil. Se saísse a metade, a Igreja não
ficaria prejudicada”. Entre os evangélicos, pergunta o reverendo Russell Shedd
escrevendo a revista ultimato: “Somos aproximadamente 25 milhões de evangélicos
no Brasil. Onde está o poder dessa multidão?”
A apreensão de sete malas contendo cerca de R$ 10
milhões em Brasília-DF somou mais um escândalo na lista de tantos outros entre
os cristãos. Em nota oficial, a Igreja Universal do Reino de Deus informou que o
dinheiro apreendido “é resultado de doações de fiéis”. Segundo o deputado João
Batista, um dos líderes da referida Igreja, a avultada quantia foi arrecadada no
fim de semana durante as comemorações dos seus 28 anos. No entendimento do
mesmo, “R$ 10 milhões é pouco”, referindo-se aos milhões de féis existentes. Não
desejo tecer comentário algum sobre a veracidade ou não da origem desse dinheiro
ou mesmo de qualquer relação com os últimos fatos políticos. No entanto, vejo a
necessidade de expor que casos como estes não podem ser tidos como regra para o
entendimento de como as Igrejas de modo geral lidam com os dízimos e ofertas.
A prática dizimal é oriunda do antigo testamento como
instrumento que garantia a manutenção do ofício sacerdotal e sua própria
estrutura. A ganância e a exploração parece que, ao longo de sua história,
sempre rondaram a Igreja. No entanto, com o passar dos tempos, essa prática
incorporou-se a uma teologia utilitarista, que faz da fé um grande negócio.
Faz-se necessário que o leitor esclarecido compreenda que as Igrejas Cristãs,
sejam elas evangélicas ou Católicas, possuem teologias, doutrinas e práticas
eclesiásticas distintas. Nesse aspecto, é claro e evidente que no meio
evangélico também há muita inversão de valores e muitas pessoas sendo atraídas
por um “evangelho de resultados”. Porém, em contrapartida, ainda há muitas
Igrejas que não praticam esse tipo de “comércio da fé” e ensinam que a motivação
correta em ofertar ao Senhor é completamente diferente de barganhar com Ele,
como se o dízimo ou as ofertas fosse uma espécie de “fundo de investimento
espiritual”.
Ao contrário disso, a Bíblia ensina-nos que o que fez
uma viúva pobre ofertar dois leptos (pequenas moedas de cobre quase sem valor)
não foi seu desejo em fugir da falência ou buscar prosperidade material, ou até
mesmo a cura de alguma doença terminal. Mas, sim, sua devoção altruísta. Jesus
afirmou que, por causa dessa íntima motivação sincera, ela havia ofertado muito
mais do que as demais quantias depositadas pelos ricos que para ali concorriam.
A lição é que Deus, além de sondar nossos corações, ele não contabiliza como o
homem. Para ele, dez milhões podem ser centavos e centavos, milhões.
Carnaval: ópio do povo
Pr. Elvis Kleiber
Aproximam-se os dias da maior festa popular do País difundida no mundo inteiro
por sua alegria e libidinosidade. Certamente o saldo não será muito diferente dos
anos anteriores, onde se observa um aumento na criminalidade, proliferação de
Aids, acidentes automobilísticos etc. Tudo regado a muito samba e cerveja em
nome da alegria e da paz. A palavra de ordem nestes dias é extravasar todo tipo
de emoção, desejo e fantasia.
O Carnaval teve sua origem no mundo cristão medieval, como um período de
festas profanas que se inicia no Dia de Reis e se estende até a Quarta-feira de
Cinzas. A ausência de repressão e censura e a liberdade nas atitudes críticas e
eróticas dão um tom sodomitiano à festa. Mas em que consiste o sucesso do
carnaval? Porque há tanto interesse por parte do Estado e da mídia em
promovê-lo?
Em primeiro lugar, vemos que a participação popular em massa durante os
festejos garante a todos os Estados e em todas regiões do Brasil um crescimento
econômico por meio do turismo e das centenas de atividades comerciais diretas e
indiretas que se movimenta neste período. A “indústria do carnaval” dá muito
lucro. Portanto, suas desastrosas conseqüências na vida de tantas famílias devem
ser encaradas como fatalidade. O “circo e a alegria” nos dias de momo não podem
parar. Afinal, fomos colonizados em meio a um baixo padrão moral, onde desde
cedo a libertinagem sexual foi a marca registrada que fez das índias e escravas
mães de uma nação órfã de pudor e honestidade.
Em 1844, Karl Marx iniciou severa crítica à religião afirmando ser esta uma
estrutura alienante produzida por uma consciência errada de mundo. Segundo ele,
a religião oferece apenas a libertação imaginária e ilusória do homem. Somente a
práxis revolucionária seria capaz de emancipar radicalmente o proletariado
industrial, dispensando a “hipnose e o consolo” de uma falsa superação da
miséria que destrói a força de revolta do povo contra o Estado. A religião para
Marx era o ópio do povo, a droga que alucina o senso crítico das massas.
Vejo, porém, uma segunda razão para o carnaval ser sucesso garantido: é o
poder de seduzir e drogar as pessoas em torno apenas de si. O carnaval torna-se
ópio porque chega a tirar do homem o senso de ridículo e a possibilidade de uma
reflexão sobre seus gestos e atitudes para consigo e com os outros. É ópio
porque funciona como uma espécie de anestésico, onde a opinião pública ficará
temporariamente em êxtase profundo diante do cenário político e econômico do
País. Quando a ressaca junina terminar, começará a Copa Mundial de Futebol,
outro mecanismo para dopar o brasileiro, que ainda não se deu conta de que este
ano elegerá seu representante maior, que deverá ser alguém que ame samba e
futebol.
Da manjedoura ao
calvário
Pr. Elvis Kleiber
O nascimento de Jesus é diferente de todos os da raça humana. Ninguém sabe em
que família nasceria, em qual país, qual seria a árvore genealógica, com Jesus
foi tudo diferente. O evangelho de Lucas registra o nascimento de Jesus do ponto
de vista da revelação angelical a Maria: “No sexto mês, foi o anjo Gabriel
enviado, da parte de Deus, para uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, a uma
virgem desposada com certo homem da casa de Davi, cujo nome era José; a virgem
chamava-se Maria”. Lc. 1:26, 27. Ao passo que Mateus dá ênfase à revelação dada
a José: “Mas José, seu esposo, sendo justo e não a querendo infamar (ou
denunciar publicamente), resolveu deixá-la secretamente. Enquanto ponderava
nestas coisas, eis que lhe apareceu, em sonho, um anjo do Senhor, dizendo: José,
filho de Davi, não temas receber Maria, tua mulher, porque o que nela foi gerado
é do Espírito Santo”. Mt. 1:19, 20.
Alguns aspectos importantes no nascimento de Jesus são descritos no texto de
Mt. 1:16-21. Seus pais foram instrumentos para o cumprimento da promessa divina.
Vs. 16-18. Não apenas por serem pais de Jesus, mas por terem sido escolhidos
para esse fim. Note que a palavra gerou é usada no caso de todos os nomes até
chegar José. Aí a declaração bíblica muda. Não está escrito que José gerou a
Jesus, mas, sim, que ele é o marido de Maria, “da qual nasceu Jesus”. Vs. 16.
Isto nos mostra que, embora seu nascimento seja pelo Espírito Santo, José era de
linhagem davídica e isto era o cumprimento de mais uma promessa que dizia que o
messias seria um descendente da família de Davi: “Quando teus dias forem
completos, e vieres a dormir com os teus pais, então, farei levantar depois de
ti a tua semente, que procederá de ti, e estabelecerei o meu reino. Esta
edificará uma casa ao meu nome, e confirmarei o trono de seu reino para sempre.”
II Sm. 7:12, 13. A salvação da humanidade dependia do nascimento virginal Vs.
19,20.
A vinda de Jesus ao mundo necessariamente deveria se dar através de uma
virgem, conforme foi profetizado 700 anos antes de seu nascimento pelo profeta
Isaías. “Portanto, o mesmo Senhor vos dará um sinal: eis que uma virgem
conceberá e dará à luz um filho, e será seu nome Emanuel”. Is. 7:14. É
importante compreendermos o que levou José a pensar em fugir. Ele estava noivo
de Maria, o compromisso do matrimônio se constituía em uma obrigação legal e não
podia romper-se sem o divórcio formal. Ao saber de sua gravidez, ele lembrou que
a lei mosaica determinava que, se uma moça virgem desposada viesse a adulterar,
deveriam ambos ser mortos, porém ele fugindo, daria a entender que o filho era
seu e livraria Maria de tal castigo. O texto ainda afirma que o nascimento de
Jesus representa a libertação do pecado da humanidade. Vs. 21. O anjo diz que
Jesus salvaria o povo de seus pecados, isto leva-nos inequivocamente ao real
sentido do Natal, que se traduz na vinda do Messias para desfazer a ação do
pecado na raça humana por meio de seu sacrifício. Mas será que há lugar para
reconhecimento e confissão de pecados no Natal que comemoramos? Ou estamos tão
envolvidos com as festas, as confraternizações, os presentes, a ceia que nos
esquecemos disto? Ter um Natal feliz é entender e viver o seu real sentido, não
basta todo sentimento fraterno tão comum nesta época do ano se não contemplarmos
o calvário que sucedeu a manjedoura. Que durante todo o ano que se aproxima
tenhamos sempre um Natal.
A farda e o crime
Pr. Elvis Kleiber
Nosso Brasil anda carente de instituições que dignifiquem a sociedade e faça
cumprir a lei, a ordem e o desenvolvimento da cidadania. Precisamos de reformas
tributárias que não impeçam o crescimento econômico, causando desemprego e
recessão. Precisamos de uma política social séria quanto à fome e à pobreza e
que invista em educação para que possamos colher dignidade e trabalho para
milhões de brasileiros. Infelizmente, em ano de eleições presidenciais, também
será ano de copa mundial de futebol, uma espécie de ópio para desviar a atenção
de nosso povo diante das antigas promessas canalhas de campanha. Li recentemente
um anúncio publicitário de uma conhecida revista que dizia: “Se Deus não é
brasileiro está perdendo um excelente eleitorado...”. Pensei comigo mesmo: será
que nossa história de democracia e eleições presidenciais diretas não prova que
há muita coisa que precisamos aprender? Em 2002 teremos outra chance...
O crime e a corrupção estão em todos segmentos da sociedade e quando o assunto
é segurança pública, temos a impressão que o pior ainda está por vir. As forças
policiais sempre representaram um importante segmento de resgate e manutenção de
valores éticos e morais oferecendo ajuda e segurança à população. Baseadas na
hierarquia e disciplina nunca estarão acima do bem-estar da população, pois uma
sociedade é composta por indivíduos, mas só será realmente ordenada se for
regida por princípios. Os primeiros são mortais, os últimos eternos. Não se
admite que por trás de uma capa de justiça e lei haja tanta conivência e
participação com o crime. É lamentável esse envolvimento por parte de policiais,
principalmente porque no dia-a-dia deparamos com situações que nos fazem pensar
duas vezes antes de pedir auxílio policial ou passar por uma blitz. Mas o que
estará por trás disso? Oro para que Deus nos proteja em tempos tão difíceis,
pois se por um lado sabemos da falta de preparo dos policiais e dos baixos
salários, por outro, o dinheiro e o poder corrompem tantas instituições sociais,
políticas e religiosas.
João Batista certa vez advertiu alguns soldados dizendo: “A ninguém
maltrateis, não deis denúncia falsa e contentai-vos com o vosso soldo” (Lc.
3:14). Havia preocupação quanto à corrupção e suborno entre os militares. A
bíblia condena o apego ao dinheiro e adverte que: “O amor ao dinheiro é a raiz
de todos os males; e alguns nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se
atormentaram com muitas dores” (I Tm. 6:10), nossa felicidade e confiança não
devem estar nos bens que possuímos: “Quem confia nas suas riquezas cairá, mas os
justos reverdecerão como a folhagem” (Pv. 11:28). O serviço de capelania militar
é fundamental para a reflexão destas e outras verdades inerentes à corporação.
Usar uma farda é representar oficialmente uma instituição e ter autoridade
delegada pelas diversas patentes, da mesma forma a fé é a indumentária da alma.
Quanto mais expressiva e visível ela for, mais será a integridade de quem a
possui.
Visão do alto
Pr. Elvis Kleiber
Quando viajei pela primeira vez de avião, eu era militar da Força Aérea
Brasileira e servia na base aérea de Recife. Nunca esquecerei aquele dia e a
deslumbrante paisagem que meus olhos podiam alcançar daquela altura. Aprendi que
quanto maior o sonho, necessitamos de mais determinação e coragem para
realizá-lo. Como fruto daquela primeira experiência, até hoje sonho com a beleza
do céu.
Há sete anos, Deus realizou um milagre na vida de meu filho portador de
glaucoma congênito. Hoje, esta experiência me faz pregar com mais veemência que
o poder de Deus é ilimitado e que precisamos obter a certeza das coisas que
parecem impossíveis, “pois não existe impossibilidade para Deus”. O dia 13 de
dezembro é dedicado ao deficiente visual, desejo que minha lembrança não soe
como homenagem ou sirva tão-somente de eco para a voz de tantos que se sentem
excluídos e discriminados pela sociedade. A palavra dignidade traduz meu
sentimento para com aqueles que possuem alguma necessidade especial e esperam
ser tratados não com comiseração ou piedade, mas com justiça e humanidade.
O Livro de Atos dos Apóstolos registra no capítulo nove a conversão de São
Paulo ao cristianismo. Conhecido inicialmente como Saulo, ele era um judeu
perseguidor dos cristãos e, no caminho da cidade de Damasco, perdeu a visão
depois de ter um encontro com Jesus (At.9:4-9). O que mais me maravilha neste
episódio é perceber que o apóstolo estava sem enxergar, maIs recebeu a visão do
alto: “Então o Senhor ordenou: - Ananias, vai à rua chamada Direita, e, na casa
de Judas, procura por Saulo, apelidado de Tarso, pois ele está orando e viu
entrar um homem, e este impondo-lhe as mãos, o recuperou a vista” (At.9:11,12).
O texto diz que Paulo teve uma visão de que um homem iria orar e ele ficaria
curado. Que visão maravilhosa! Quão tamanha fé deste “deficiente visual” que
enxergava o agir sobrenatural de Deus em sua vida. O segredo desta visão é um
coração contrito e quebrantado diante do Senhor, o texto diz que Paulo, embora
incapacitado de enxergar, falava com Deus e clamava por ajuda, por isso Deus o
curou da forma como ele havia revelado naquela visão. Creia que Deus quer te dar
a visão de coisas eternas e que jamais será ofuscada diante de seus olhos.
Quantas pessoas vivem em escuras trevas pela ausência de paz, de felicidade, de
amor e de salvação? Enxergam apenas o tempo presente, mas não possuem a visão do
alto.
Desequilíbrio e
extinção
Pr. Elvis Kleiber
Em defesa do meio ambiente, ecologistas realizam diversas campanhas para
conscientizar o homem de sua responsabilidade para com a natureza, diversas
instituições e ONGs (organizações não-governamentais) são responsáveis pela
preservação de espécies em extinção como, por exemplo, o projeto Tamar que cuida
das tartarugas marinhas. Muitas atrocidades são cometidas contra a fauna e a
flora em nosso país. A extração ilegal de madeira é o principal responsável pelo
desmatamento das florestas brasileiras, ocasionando desequilíbrio ecológico, a
luta dos rios contra a ação poluente do homem é uma batalha desigual sem podium
e que só produz perdas coletivas. Nem as leis de proteção ao meio ambiente são
suficientes para intimidar os predadores racionais das espécies, levando-os a
uma atitude de preservação da natureza. É preciso responsabilidade individual,
mudança interior e consciência da influência coletiva na preservação do
ecossistema; reconhecemos que as matas precisam de proteção e os animais devem
ser preservados para que as futuras gerações gozem do bem do planeta Terra.
Tal qual o meio ambiente, a célula mater da sociedade agoniza por
cuidado e proteção. Oito de dezembro será o Dia Nacional da Família, nada mais
propício do que em vez de comemorarmos grandes realizações, reconhecermos o
desequilíbrio e a extinção da família em nossa sociedade. Esta realidade é fruto
do nascimento de uma geração que supervalorizou a liberdade sexual sem medir
suas inevitáveis conseqüências e que ao desprezar valores morais, banalizou o
casamento tornando-o um simples contrato. O modelo dos lares apresentado nas
novelas reproduz muito bem o desequilíbrio da família e suas conseqüências
sociais, influenciando diariamente a uma vida livre de tabus e preconceitos, em
que o conceito primário de família, não é mais necessariamente a relação de um
homem e uma mulher. A visão equivocada e distorcida da sexualidade humana
vigente na sociedade admite todas práticas possíveis e imagináveis. “Nada é
ilegal, imoral ou engorda...”;
Na década de setenta, minha bisavó já dizia para mim: “Meu filho, estamos em
uma época que se diz que nada faz mal...”. Hoje em dia se defende que fazer uma
opção sexual faz bem, que o adultério tem seu lado positivo no relacionamento a
dois, e que se não der certo separa. As estatísticas mostram que no Brasil a
cada dez casamentos, sete acabam até o terceiro ano. É crescente o número de
pessoas que optam em morar sozinhas e não constituírem uma família, outros, após
um relacionamento mal-sucedido, passam a descrer que a família é uma instituição
Divina. Lutaremos pelo equilíbrio e preservação da família ou vamos entregá-la à
engenharia genética?
Duvidando do poder de
Deus
Pr. Elvis Kleiber
Em muitas situações da vida somos tentados a perdermos a esperança e a fé.
Dificuldades financeiras, enfermidades, crise na família etc. Tudo isto pode nos
tirar o ânimo e a alegria de viver. Tomé foi um homem que viveu um momento muito
delicado em sua vida, quando se sentiu desiludido com a morte de Jesus. Lemos no
evangelho de João 20.24-29 que Jesus, após a crucificação, aparece primeiro a
Maria Madalena que corre e conta para os discípulos. Ainda no mesmo dia, Jesus
aparece aos discípulos dizendo: “Paz seja convosco!”, e mostra suas marcas nas
mãos e nas costas. Mas Tomé não estava presente quando Jesus apareceu aos
discípulos pela primeira vez. Provavelmente ele se isolou dos demais porque essa
era a sua atitude de resolver as coisas e ele devia ter tendência para a
depressão. Muitos dizem que este século é o “século da depressão”. A depressão
afeta especialmente a nossa capacidade para crer. Tomé foi afetado e não
conseguiu aceitar a real presença de Jesus.
Oito dias se passaram e Jesus novamente aparece a eles dizendo “Paz seja
convosco!”. E em especial agora fala com Tomé, para que ele creia. Tomé disse
que só creria se visse o sinal dos cravos e o lado. Então Jesus diz: “Tomé, põe
aqui o teu dedo e vê as minhas mãos, chega também a tua mão e põe-na no meu
lado” (v. 27). Tomé precisava ver o “sinal dos cravos” para crer. Muitos também
ainda hoje precisam primeiro ver para depois crer. É um tipo de fé condicionada
aos anseios da razão e precisão científica, que envolve o pensamento humano.
Sempre que estivermos diante de situações aparentemente insolúveis, precisamos
nos lembrar do exemplo de Tomé e recebermos a visita restauradora da fé que
Jesus espera que tenhamos.
“O sinal dos cravos” aponta para alguns aspectos da nossa confiança no poder
de Deus, pois nele se revela a prova visível da vitória de Jesus sobre a morte
(v.19-24), garantindo-nos também o mesmo poder por meio da ressurreição do
corpo. A resposta de Jesus a Tomé satisfazendo-lhe a curiosidade não está na
necessidade de ele ter de provar que era mesmo o messias, e sim de mostrar-nos
quão superficial é a fé dos incrédulos. Jesus provou que nos ama com amor
inabalável. Ele não se decepcionou com a atitude de Tomé e não o discriminou,
antes o amou com amor restaurador. Hoje, Jesus não precisa provar mais nada
quanto ao seu poder, embora a sociedade moderna, que também é incrédula, precise
de sinais para crer. Precisamos ser abençoados com essa fé que é produzida em
nós não pelo que vemos, mas “por ouvirmos a mensagem que vem por meio da
pregação a respeito de Cristo” (Rm. 10.17). A “fé é a certeza de cousas que se
esperam e a convicção de fatos que se não vêem” (Hb. 11.1). Nunca duvide do
poder de Deus.
Personal fé: um
exercício saudável
Pr. Elvis Kleiber
É cada vez maior o número de pessoas que aderem a algum tipo de dieta,
caminhada e exercícios diários. Praticar uma atividade física tornou-se regra
básica para quem quer manter a saúde, as academias revelam uma tendência
crescente nas pessoas que fazem do cuidado ao corpo quase um culto ou religião.
Por outro lado, em tempos de crise, cuidar da saúde é muito mais que um ideal, é
sinônimo de economia, pois medidas preventivas além de ser mais eficazes são bem
mais baratas. Saúde física não é apenas ausência de enfermidades ou um corpo bem
cuidado, é sobretudo um bem-estar emocional que refletirá no funcionamento de
todo o organismo. Diz o ditado: “Mente sã, corpo sadio”. A mente exerce um papel
sobremodo relevante em nosso organismo, por isto devemos dar especial atenção
aos exercícios que podemos realizar em busca de saúde mental, pois até pouco
tempo se ignorava a possibilidade de a fé exercer influência em nosso equilíbrio
orgânico. Hoje, porém, a ciência explica como as emoções e a fé agem no corpo e
nas doenças.
Já em 1975, o pesquisador Robert Ader provou que o sistema imunológico é tanto
“ensinável” quanto “manipulável”, com isso ele descobriu que, enviando reflexos
ao nosso cérebro, alteravam-se os mecanismos de defesa do corpo. Hoje, a ciência
explica que substâncias químicas produzidas pelos neurônios, chamadas de
neuropeptídeos, fortalecem o sistema imunológico. Muitas escolas médicas
americanas estudam o papel terapêutico da fé através das orações concluindo que
o doente que crê tem mais chance de ser curado, e aponta para os resultados
benéficos sobre a saúde. Mas, afinal, o que é fé? como podemos exercitá-la?
quais os resultados para quem a possui? São algumas das questões que gostaria de
tratar.
A Bíblia afirma que fé é: “a certeza de coisas que se esperam, a convicção de
fatos que se não vêem” Hb. 11:1, esta certeza não brota unicamente do coração
humano a menos que Deus manifeste no homem tal sentimento possibilitando-o
“...da fraqueza tirar força...” Hb.11:34, a fé é um dom de Deus concedido ao
homem. Acerca disto o apóstolo São Paulo escreveu que a validade da fé é a
intensidade do amor que o acompanha. I Cor. 13:2, a fé deve ser exercida por
meio da oração: “e tudo quanto pedirdes em oração, crendo, recebereis”.
Mt.21:22, existe uma ação terapêutica quando conversamos com Deus, ou seja,
quando oramos. Pois, tão logo que fazemos isto, sentimentos de vazio e solidão
dão lugar a uma presença invisível mas real de alguém que confidenciamos nossos
temores, angústias e esperanças. Como resultado, passamos a viver na perspectiva
de uma mente transformada que vê na fé em Cristo Jesus o único meio de se obter
cura espiritual e saúde física e mental. Já malhou sua fé hoje ?
O dia que esqueceremos da morte
Pr. Elvis Kleiber
Temos a eternidade em nossos corações. O desejo de viver, de reproduzir, de
perpetuar é uma das provas de que fomos criados à imagem e semelhança de um Deus
transcendente e que não fez da morte um destino em si mesmo para a humanidade.
Quando ela bate em nossa porta, traz um sentimento de vazio, de saudade, de
impotência. Escrevo estas linhas com o coração enlutado, pois durante esta
semana ela nos visitou levando meu sogro. Contudo, só por meio dela é que
conheceremos o caminho com destino ao verdadeiro sentido da vida. Quando
refletimos sobre a morte na história da humanidade, percebemos que a ela é
inevitável, é uma realidade que nos acompanha tão de perto quanto a própria
vida. Ela também é imprevisível. Não podemos prever quando e nem a quem chegará,
ela não escolhe idade, religião, cor, classe social e alcança a todos,
indistintamente. A morte também é inadiável. Quando chega seu dia, temos que nos
submeter a sua nefasta visita, sem podermos negociar para uma outra data. Mas
quando será que estaremos livres dela? Quando não mais nos lembraremos da dor e
da saudade que ela nos faz sentir?
Sei que amanhã muitas pessoas visitarão o túmulo de alguém muito amado, pois a
morte tem até data para lembrar-nos de suas vítimas. Quero, porém, afirmar que
haverá um dia que ela não mais terá domínio sobre os homens. O livro do
Apocalipse (21:4) diz: “e lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte não
mais existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras
coisas passaram”. Aqueles que estarão ao lado de Deus nos céus estarão livres da
morte e de todos os outros sofrimentos. Isto não é o Evangelho que promete
ausência de sofrimento no tempo presente, mas considera o caráter provisório dos
efeitos da morte em nós. Jesus ao visitar uma família enlutada afirmou: “Eu sou
a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo o que
vive e crê em mim não morrerá eternamente” (Jo.11:25,26). Ou seja: através da
ressurreição de nossos corpos não sentiremos a dor e a saudade, pois não haverá
mais morte para limitar nossa existência.
Há uma esperança de reconquistarmos a eternidade planejada por Deus para nós.
Não uma eternidade marcada por sucessivas passagens por este mundo, não uma que,
em vez de conforto e esperança, produza desespero, incerteza e lembranças
cativas de pessoas que amamos, mas uma eternidade que seja na gloriosa presença
de Deus e que nos restitua sua idêntica imagem e semelhança. Essa conquista está
em Cristo Jesus, só ele é capaz de nos fazer superar a lembrança da morte por
meio da esperança na vida eterna. Pense nisso e esqueça dos efeitos da morte,
lembrando que ela um dia terá o seu fim.
Comunhão: lembrança
diária
Pr. Elvis Kleiber
Você já notou como objetivos comuns conseguem facilitar nossa convivência com
pessoas diferentes? Tenho sido abençoado por Deus, ao sentir que por meio de sua
Igreja consigo amar pessoas tão diferentes de mim e que, por pensarem diferente,
sempre acabo aprendendo algo novo sobre a difícil tarefa de me relacionar com
pessoas. O evangelho de Lucas 22:7-12 registra os preparativos para a refeição
pascal, em que Jesus delega a Pedro e João a responsabilidade de cuidar de todos
os detalhes. Indagado acerca do local a ser servida a páscoa, Jesus manda os
discípulos seguirem um homem na entrada da cidade, onde sua única identificação
é um cântaro de água que, supostamente, estaria conduzindo. Eles deveriam obter
a resposta quanto ao local, por meio do dono da casa em que entrasse esse homem.
Conheço muitos irmãos que se estivessem no lugar dos discípulos, criticariam
Jesus pela falta de clareza e objetividade na sua resposta. Outros, ainda, se
sentiriam desmotivados em participar de uma “busca incerta” e insistiriam em
saber detalhes desse “amigo desconhecido”. É um desafio obedecê-lo, sem
questionar a clareza, o sentido e a lógica de suas palavras, principalmente
quando estamos “responsáveis pelos preparativos”. O texto termina dizendo: “tudo
encontraram como Jesus lhes dissera”. A ação de Deus não se estabelece dentro da
dedução racional do homem. Habitualmente, eram as mulheres que conduziam os
cântaros de água e não os homens. Um outro aspecto curioso é o fato de o dono da
casa ceder seus aposentos e nem por isso se achar no direito de participar da
ceia. Precisamos aprender que, se estamos fazendo algo para o mestre, é porque
ele nos comprou para isto, e não há em nós mérito que nos credencie o direito de
participação em suas bodas, em seu reino. É tudo pela graça. E, finalmente,
aprendemos que sua palavra se cumpriu para que Ele fosse glorificado. Ou seja,
celebramos a páscoa para não nos esquecermos dEle! É Ele que deve ser lembrado!
É sua voz que deve ser ouvida e obedecida, esse é o objetivo maior de nossa
comunhão!
Enquanto o mundo grita por paz, precisamos manter a lembrança do único que
pode promovê-la, pois ele mesmo disse: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou...”
Seu exemplo de entrega aos discípulos foi total, e mesmo sendo traído por um
deles não perdeu o sentimento pacífico. A comunhão se expressa na realização de
querer afirmar outros, em vez de se sentir afirmado, só então estaremos tão
unidos que poderemos ter objetivos comuns e uma lembrança diária do preço que
foi pago na cruz do calvário para que a humanidade se reconciliasse com Deus.
“Glória Deus nas alturas e Paz na Terra aos homens de boa vontade...”.
Um médico especial
Pr. Elvis Kleiber
Durante este último mês, minha família viveu a expectativa de esperar um
diagnóstico sobre uma enfermidade que acometeu meu sogro. Consultas, remédios,
exames e, enfim, a conclusão de um especialista. Todos nós depositamos uma
enorme confiança no profissionalismo e competência dos médicos, isso é decisivo
no sucesso de um tratamento. Quero dedicar essa reflexão a toda a classe médica
baiana em lembrança ao seu dia, embora que, em nosso país principalmente em se
tratando de saúde pública, esse reconhecimento não se traduz em salários justos
e condições dignas de se exercer a medicina. Mesmo em face desta realidade,
continuo acreditando no amor e na vocação de muitos médicos, que os distinguem
como pessoas especiais.
Na minha infância, convivi com muitos médicos, desde cedo tive problemas
respiratórios e uma forte alergia. Depois que meu filho nasceu, essa relação
continuou bastante estreita por meio de um glaucoma congênito. São tantos nomes
que marcaram minha vida e meu coração que certamente ao tentar mencioná-los
cometeria a injustiça de não me lembrar de alguns. Hoje, após seis anos de
sacerdócio em que por várias vezes tenho que orar por pessoas enfermas, consigo
sentir um pouco da carga de tensão e esperança que os médicos carregam de seus
pacientes. Quem são os homens e mulheres que, agraciados por Deus, receberam a
difícil responsabilidade de cuidar de doentes? O que encontramos por trás
daqueles que recebem o título de doutor?
A principal missão de um médico é lutar pela vida e pelo bem do ser humano.
Sua vida se reveste de grande humanidade, à medida que convive com o sofrimento,
a dor, a esperança e os sonhos de seus pacientes. Nada é mais doloroso do que,
esgotados todos os recursos, ser vencido pela morte. Os médicos são pessoas que
convivem com um constante sentimento de perda que precisa ser diariamente
superado pela dependência do Médico Supremo. Outro aspecto a ser lembrado é que
eles também adoecem e precisam de médicos. O problema é quando ignoram esta
necessidade e fazem tudo que proíbem aos pacientes. Já li uma pesquisa em que
dizia que os médicos se constituem os mais difíceis pacientes e que um número
alarmante deles é dependente de algum tipo de droga.
A Bíblia fala de São Lucas, um discípulo de Cristo que era doutor. Contudo, o
mais brilhante médico mencionado na Bíblia era filho de um carpinteiro; Ele
continua cuidando de médicos, como cuidou de São Lucas, e quer cuidar de tua
alma também. Médicos são pessoas usadas pelo Médico Supremo, pelo Médico dos
Médicos. Eles são instrumentos valiosos nas mãos de Jesus. Que o Médico Especial
vos abençoe neste dia!
Herdeiros dos céus
Pr. Elvis Kleiber
Aproxima-se o dia das crianças e, como de costume, esse dia é sinal de lazer,
presentes, guloseimas e muita diversão. Lembro que, quando criança, minha
expectativa era grande pela chegada deste dia. Sabia que receberia alguma
lembrança juntamente com minha irmã. No entanto, sempre me foi ensinado que
nosso maior presente era o nascimento de Jesus para toda a humanidade. O tempo
passou e, das lembranças deste dia, ficou um legado espiritual que, muito mais
que presentes, tenho passado para o meu filho.
A vida de Jesus nos faz compreender o importante significado do valor das
crianças, a partir de seu nascimento. Ao contrário do que esperavam os judeus,
um libertador político e social, Jesus, nasce em uma humilde manjedoura em Belém
dentro de um estábulo, corporificado na figura de um bebê. Apesar de sua
pobreza, fora recebido com presentes pelos reis magos do Oriente que, aos seus
pés, lhe adoraram e ofereceram: ouro, incenso e mirra. Isto nos ensina que havia
uma majestade no menino Jesus, que depois ele expressa a todas as demais
crianças: “Deixai vir a mim os pequeninos”, disse Jesus. Seu desejo é que as
crianças recebam o seu toque e sintam seu afago, nada é mais importante na
infância do que conhecer Jesus, seu carinho e sua humanidade. Só assim terão uma
visão saudável do Pai do Céu, em meio a tantas atrocidades cometidas contra elas
aqui na Terra. A violência, as ruas, as drogas, os pais desajustados, a
exploração, o abuso sexual etc. são marcas tão presentes na infância brasileira
que não dá para esquecer neste dia.
É neste contexto que gosto de lembrar o final do versículo já citado: “...
Através delas (crianças) virá o reino dos céus” ou seja: as crianças possuem
características imprescindíveis para quem quer ser herdeiro dos céus. Sua
inocência, a ausência de vaidade e orgulho, o desapego aos bens materiais, a
facilidade para perdoar, a ingenuidade etc. são importantes aspectos da infância
que Deus deseja ver em nós. Que neste dia estejamos oferecendo muito mais que
presentes aos nossos filhos. Ofereçamos Jesus através de sua palavra, seu
exemplo e sua infância. Certamente, fazendo assim, estaremos deixando uma
herança eterna para eles, o Céu.
Liberdade duradoura ou
vingança infinita?
Pr. Elvis Kleiber
O mundo vive dias de expectativa quanto a uma guerra. Os atentados terroristas
em Nova Iorque e Washington (EUA) desencadearam uma mistura de sentimentos:
vulnerabilidade com o desejo de se fazer justiça com as próprias mãos. Para uma
nação que se acostumou a ter soluções para o mundo, inclusive com tradição em
intervir nos conflitos armados no Oriente Médio, não esboçar nenhuma reação –
mesmo que suas conseqüências sejam também extremistas quanto à ação de seus
inimigos – seria um ato de tamanha humildade, compaixão e misericórdia que
certamente não combina com a política americana.
Logo após o episódio, muitos chefes de Estado repudiaram o terrorismo e
manifestaram total apoio ao presidente George W. Bush, que em seguida declarou
guerra contra o terrorismo, por meio de uma megaoperação inicialmente denominada
“Justiça Infinita” (agora chamada de “Liberdade Duradoura”).
O que hoje se estampa em todas manchetes é o poderio bélico de uma nação que
buscará em ações militares e políticas uma vigança contra um alvo desconhecido.
Por isto, não farão diferença entre culpados e inocentes. Seria isto mesmo um
ato de justiça? Existiria justiça infinita, mesmo que seja contra terroristas?
Não há uma diferença entre justiça e vingança? Chegou a hora de repensarmos a
conivência mundial nas ações militares americanas à luz da liberdade divina.
A História nos mostra que o serviço de inteligência dos EUA investiu no
treinamento de Osama Bin Laden, durante a ocupação soviética no Afeganistão, por
meio de sofisticadas técnicas terroristas. Se Bin Laden foi mesmo o mentor dos
atentados, o tempo se encarregou de aprimorar as táticas aprendidas com os
próprios americanos, que agora colhem as sementes do terror que plantaram no
passado.
O desejo de resposta americano foi tão precipitado que, recentemente, o nome
da “operação de guerra” foi mudado para “Liberdade Duradoura”. O que não mudou
foi o sentimento de vingança que está por trás de seus intentos. O mais
lamentável é ver que tão insano quanto a ação dos terroristas é a onda de
violência e discriminação contra muçulmanos, que romperam as fronteiras
estadunidenses e se espalharam pelo resto do mundo, além de submeter afegãos
inocentes, que não pertencem ao Talibã, à barbárie de uma guerra sem vencedores,
juntamente com centenas e centenas de soldados dos EUA, que em nome do orgulho
nacional deixarão seus familiares vivendo o terror da expectativa de que, no
final dos combates, possam voltar com vida.
Todo ato de justiça precisa ser precedido de provas incontestáveis, além do
direito de defesa por parte do acusado. Contudo, como já estamos acostumados no
Brasil, nem sempre os passos se dão nesta ordem. Osama Bin Laden e todos os
suspeitos, até que se prove ao contrário, “são responsáveis”. Por causa disto,
muitos inocentes, muçulmanos ou não, serão acusados de ter ligação com o
terrorismo.
Outro fato digno de citação é o primeiro nome dado à “operação de guerra”,
pois nem o inferno poderia ser considerado como a justiça infinita, quando
consideramos o sofrimento como um castigo e não como ato de justiça em si. A
Bíblia nos ensina: “A Deus pertence a vingança”. Só Ele poderá exercer a justiça
perfeita e oferecer ao mundo a liberdade duradoura.
Leis temporais e
princípios eternos
Pr. Elvis Kleiber
A soberania maior de um povo se baseia na liberdade de instituir suas próprias
leis, e do fazê-las cumprir dependerá sua própria integridade. Na tentativa de
contextualizar as prescrições legais em decorrência das mudanças nas relações e
hábitos sociais, surge diante de nós um conjunto de reformulações nas leis civis
que deverão ser aprovadas no Congresso Nacional.
O Código Civil Brasileiro em vigor foi concluído em 1916 e estava pra lá de
obsoleto, no entanto, tal processo de atualização iniciado em 1975 por uma
comissão de juristas, liderada pelo advogado Miguel Reale, levou 26 anos para
concluir todo o trabalho. O resultado é que muitos aspectos que envolvem nosso
dia-a-dia, como por exemplo o comércio eletrônico via internet e a normatização
dos serviços oferecidos por meio dele, não estão previstos no novo código civil,
que já requer atualizações. Por outro lado, precisamos considerar que muitas
mudanças reconhecem a funcionalidade do papel da mulher, em uma sociedade que
não é mais absolutamente patriarcal. Por isso mesmo, o código torna os direitos
civis igualitários dando mais autonomia jurídica às mulheres. Mas até quando se
manterá atual para as futuras gerações? Existe um dinamismo nos hábitos da
sociedade que requer constantes reflexões à luz da cosmovisão contemporânea.
Os costumes e leis de um povo manifestam sua identidade cultural e suas
tradições baseadas em seus relacionamentos. Convivemos com uma incontestável
mudança na maneira de pensar do homem de nossa geração e dos fenômenos sociais
que acontecem decorrentes do acesso das pessoas ao avanço da ciência e da
tecnologia, bem como pela avassaladora explosão urbana que tão bem caracteriza a
chamada pós-modernidade. Portanto, embora as leis sejam temporais e mutáveis,
elas precisam obedecer a princípios eternos e inegociáveis estabelecidos por
Deus.
Quando Moisés recebeu os Dez Mandamentos (Ex.20), havia muito mais que a idéia
de normatizar um código de regras e leis para o povo, Deus queria fazer uma
aliança, um pacto de ética que conduzisse o homem a um maior relacionamento
consigo mesmo e com seus semelhantes. Os quatro primeiros mandamentos
(EX.20:1-4) tratam do relacionamento comprometido do homem para com Deus, os
outros mandamentos vão relacionar a conduta do homem para com seus semelhantes
abordando princípios que estão baseados em nossas leis, como por exemplo o valor
sagrado da vida humana, que revela a proibição Divina ao homicídio, e o respeito
à integridade física alheia. Infelizmente, tal princípio é diariamente ultrajado
em todo o mundo, quer seja por meio da violência ideológica do sistema
capitalista ou das atrocidades da violência, guerras e atos de terror, como o
que foram vítimas os EUA, que nos leva a crer que a contextualização nas leis
não nos garante seu cumprimento.
O seqüestro da
independência
Pr. Elvis Kleiber
Aumenta em todo o País a prática do seqüestro. Esse crime hediondo tem tomado
grandes proporções em nossa sociedade, por meio de várias modalidades na ação
dos bandidos. Há seqüestro muito bem planejado, cuja riqueza dos detalhes
surpreende os policiais. Mas há também o seqüestro relâmpago, no qual a vítima
pode prover seu próprio resgate ou o auto-seqüestro, quando por meio de uma
simulação a suposta vítima tenta extorquir o “resgate” de alguém. Parece que aos
poucos, expomos a realidade de um País que não é mais conhecido apenas como
“terra do samba e do futebol”, mas também da corrupção, da violência e do medo.
Ao longo desses 500 anos, nossa liberdade, justiça e cidadania tornaram-se
refém de uma estrutura econômica completamente dependente e encarcerada aos
interesses políticos internacionais que regem o mundo. Para descrever qual a
implicação dessa realidade na vida social do País, basta associar
harmoniosamente as três modalidades de seqüestro citadas e teremos um perfil
realista de vários crimes envolvendo enxurradas de dinheiro público, resultantes
de desvio ou sonegação fiscal, que se traduz em má distribuição de renda,
recessão e miséria. O grito nas margens do Rio Ipiranga, símbolo de um desejo de
liberdade e independência, nunca refletiu um País ausente de mecanismos
dominantes. O que então comemorar em 7 de setembro?
Na história da criação, a Bíblia descreve um episódio conhecido como “O pecado
original”, o qual simboliza o fim do estado de perfeição e liberdade do homem,
por meio da desobediência à ordem Divina (Gen.3:1...). Gosto de fazer uma
ilustração desse episódio, comparando-o a um seqüestro. Todas as coisas criadas
no Jardim do Éden foram seqüestradas por Satanás em figura de serpente. Daquele
momento em diante, o homem passou a ser refém do pecado e de tantos sentimentos
que hoje alimentam o seu egoísmo desenfreado. Mas Deus nos ama de maneira tão
inequívoca, que pagou o resgate por intermédio do sacrifício de Jesus na cruz do
calvário, nos dando completa libertação. “Porque Deus amou o mundo de tal
maneira, que deu seu único filho para que todo aquele que nele crê não pereça,
mas tenha a vida eterna” (Jo. 3:16).
Deveríamos estar livres para dizer não a tudo que nos faça
coniventes e escravos da injustiça social. Mas muitos ainda mantêm tanta
simpatia pelas benesses oferecidas pelo “seqüestrador de nossas almas”, que
mesmo depois de efetuado o resgate mencionado, além de não saírem da sua
companhia, findam aliando-se a ele e a seus projetos. Sonhamos com uma
independência holística do homem, quando pudermos ver o cumprimento daquilo que
o apóstolo João escreveu em seu evangelho: “Se, pois, o filho vos libertar,
verdadeiramente sereis livres” (Jo. 8:36). Creio que, enquanto isso não
acontece, devemos agradecer a Deus pela ausência de terremotos, furacões, pela
tolerância racial e religiosa, pela riqueza das expressões culturais de nosso
povo, a luta, a garra, a fé e a esperança pela independência.
A divindade da mídia
eletrônica
Pr. Elvis Kleiber
A pós-modernidade e o avanço tecnológico tornaram a Terra um planeta pequeno,
bem-informado e munido de um sistema de comunicação tão eficaz e poderoso, que é
capaz de unir pessoas de todo mundo por meio de sofisticados satélites. A
televisão, o rádio, o fax, o celular e o correio eletrônico são instrumentos
criados pelos homens, interferindo e influenciando radicalmente no
comportamento. A 24ª Conferência Geral de População, realizada no Centro de
Convenções na semana passada, reuniu profissionais das ciências sociais de
vários países e abordou entre outros temas “Os meios de comunicação de massa e o
comportamento demográfico”. Na visão de Esther Hamburguer, antropóloga e
professora do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão da Universidade de São
Paulo (USP), a telenovela no Brasil influenciou a mulher quanto à redução do
número de seus filhos. Analisando tal conclusão mais a fundo, veremos que em
especial a televisão no Brasil contribui não apenas para a diminuição da
natalidade, mas no aumento da violência, da prostituição, dos divórcios, dos
dependentes de álcool etc. Os meios de comunicação influenciam nosso dia-a-dia e
ensinam comportamentos e crenças tão poderosamente como qualquer religião.
Existem características na mídia eletrônica que se assemelham a uma divindade
e lhe conferem aparentes atributos que só Deus possui. A onipresença, por
exemplo, é a capacidade de Deus poder estar em todos os lugares e ao mesmo
tempo. Ela consegue, embora que não de forma absoluta, esse objetivo estando
presente em toda parte, levando informação e imagens de situações e lugares
diferentes a tantas pessoas ao mesmo tempo. Suas ondas eletrônicas invadem a
atmosfera em que vivemos. A mídia eletrônica também dissimula uma certa
onisciência, pois, além de tornar públicas informações de fatos íntimos das
pessoas, afirma saber constantemente do que necessitamos para sermos mais
felizes através de seus apelos ao consumo e da indução de algum desejo ou
necessidade. Outro fator digno de ser mencionado é o simbolismo que produz por
meio de marcas e grifes, que, além de qualidade e confiabilidade, oferecem às
pessoas, idéias poderosas de significado e objetivo à vida. Da mesma forma, as
mais diferentes expressões de culto e divindade são percebidas pelas marcas,
símbolos e sinais que se perpetuam ao longo da história.
Mas todo esse poder da mídia eletrônica continua no anonimato diante do
significado da identidade de Deus acerca de si mesmo. “Eu Sou”, esse foi o
slogan que daria autoridade a Moisés para libertar o povo da escravidão do
Egito, em nome do Único Deus (Ex. 3:14). Ele é o Alfa e o Ômega, o princípio e o
fim; ao contrário da mídia eletrônica, não foi criado, mas deu origem e sustenta
todas as coisas (Jo. 1:3). Sua ética possui valor inestimável, pois não invade a
mente humana de maneira abusiva e nunca produz diante de seus “telespectadores”
propaganda espúria e enganosa, só ele nos conhece na vida real. Estando exposto
às suas influências por meio da leitura da Bíblia, certamente seremos mais
enriquecidos do que temos sido através da mídia eletrônica.
Religião e
solidariedade
Pr. Elvis Kleiber
Este ano foi declarado pela ONU como “O Ano Internacional do Voluntário”. Em
todo o mundo, cresce a iniciativa de vários mecanismos privados, que por meio de
organizações não-governamentais (ONGs) arrebanham um número cada vez maior de
pessoas que prestam algum serviço voluntário. Segundo reportagem especial sobre
o assunto, publicada na “Folha de S. Paulo” em 1º de abril, nos últimos dois
anos o número de voluntários no Brasil cresceu 42%, e muitos projetos
comunitários já influenciam políticas públicas. Uma delas é a Pastoral da
Criança, presente em 3.351 municípios, acompanhando cerca de 1,5 milhão de
crianças.
Na Bahia, a ONG destacada na referida reportagem é o Movimento de Organização
Comunitária (MOC), fundado em 1967 e com sede no município de Feira de Santana,
que se propõe a construir cisternas para armazenamento de águas das chuvas, além
de incentivar a permanência das crianças na escola, tirando-as do trabalho no
sisal. Esse contexto reflete a possibilidade que temos de nos envolvermos em uma
ação concreta em favor do próximo, diante de um sistema de valores sociais cada
vez mais individualista e insensível à dor e ao sofrimento humano.
A solidariedade é uma das principais características do Evangelho que foi
pregado por Cristo, e que se propõe a religar o homem a Deus. Fazer o bem não é
o meio, mas conseqüência da ação de um dom chamado Graça, que significa “favor
imerecido”. Jesus foi o mais brilhante voluntário que já pisou na Terra. Seu
amor sacrificial nos ensina que “essa graça não vem de nós, mas é dom de Deus, e
que a salvação não pode ser adquirida por meio de atos de solidariedade para que
ninguém se orgulhe deles” (Ef. 2:8,9). Por isto, quando merecíamos a cruz, ele
nos ofereceu perdão, morrendo voluntariamente em nosso lugar. Porém, aqueles que
possuem o dom da Graça devem expressar de maneira visível atos de amor e
solidariedade, como evidência de que já obtiveram um favor de que não eram
merecedores.
Há muitas definições de religião e de suas influências nos nossos dias. Talvez
nenhuma traduza o explícito valor da solidariedade descrito por São Tiago em sua
epístola no capítulo 1:27 “A religião pura e sem mácula, para com nosso Deus e
Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas sua tribulações e a si mesmo
guardar-se incontaminado do mundo”. Precisamos receber o dom da Graça, que nos
identifica com tais práticas. Esse é o princípio bíblico de mutualidade
solidária. Enquanto a tradição judaica dizia “não faças aos outros o que não
queres que te façam”, Jesus ensinou: “Tudo quanto quereis que os homens vos
façam, assim fazei-o vós também a eles” (Mt. 7:12). Ser um voluntário enobrece e
dignifica o homem, mas a motivação que o leva a isso deve ser: “O Amor a Deus
sobre todas as coisas, e ao próximo como a ti mesmo”.
Congregacionais: pioneirismo evangélico
Pr. Elvis Kleiber
Diante da pluralidade de igrejas, do poder da mídia existente em templos
famosos e entre muitos fiéis, artistas e políticos em constante evidência no
cenário nacional, quase passamos desapercebidos quando o assunto é identificar e
conhecer a origem dos evangélicos protestantes no Brasil. Contar essa história
sem falar dos congregacionais é como discorrer sobre o Brasil sem mencionar a
Bahia ou os índios. Haverá quem consiga falar de si sem conhecer seus patrícios?
– alguns até se atrevem... O sociólogo Ricardo Mariano publicou sua tese de
mestrado sobre o neopentecostalismo brasileiro e suas influências no surgimento
de muitas igrejas a partir da década de 60, até as mais recentes.
Essa obra é
uma das mais valiosas pesquisas no campo histórico e sociológico sobre o
surgimento de muitos grupos contemporâneos de cristãos. Contudo, para
conhecermos os pioneiros dos evangélicos, teremos que ouvir sobre dois
personagens principais: o médico e missionário escocês Dr. Robert Reid Kalley e
sua esposa, a musicista e compositora Sara Poulton Kalley. Ambos implantaram, em
19 de agosto de 1855 na cidade de Petrópolis, no Rio de Janeiro, a primeira
Igreja Evangélica em língua portuguesa, sendo os pioneiros na pregação do
Evangelho em caráter permanente em nosso país. O Dr. Kalley era considerado em
alta estima por todos, pela influência que exercia na busca de transformações
sociais. Embora fosse médico do imperador D. Pedro II, não se negava a atender
aqueles que, mesmo não tendo condições, buscavam seus cuidados.
No
período entre 1855 e 1866 publicou vários artigos no Correio Mercantil e no
Jornal do Comércio do Rio de Janeiro. Seus artigos influenciaram importantes
mudanças nas leis referentes à liberdade de culto e à separação entre Igreja e
Estado. Entre elas destacamos: reconhecimento oficial do casamento de
não-católicos, registro civil de seus filhos, óbitos registrados em cartórios e
espaço em cemitérios para o sepultamento dos protestantes. Em 1861, um pequeno
hinário chamado de “Música sacra” é publicado com 18 salmos e 32 hinos, metade
dos cânticos dessa primeira edição foram escritos por Sara Kalley. Hoje, os
“Salmos e hinos” servem a muitas igrejas que surgiram posteriormente.
Reconstruindo a imagem
de pai
Pr. Elvis Kleiber
Aproxima-se o domingo em que comemoramos o Dia dos Pais. Interesse
comercial à parte, muitos filhos procuram lembrar do paizão nesta data. Alguns o
fazem por tradição social ou familiar, outros por obrigação, como se tal
lembrança amenizasse problemas e lembranças difíceis vividas no passado. E há
ainda aqueles que não podem expressar qualquer gesto de afeição e carinho por
causa da ausência, da distância ou da falta de um pai. Pessoalmente, durante
muito tempo me identifiquei com o terceiro grupo.
Creio, porém, que tal sentimento de gratidão à figura do pai é tão válido que
Deus escreve aos filhos dizendo: “Honra teu pai e tua mãe, para que se
prolonguem os teus dias na terra que o Senhor, teu Deus, te dá” (Ex. 20:12).
Nossos pais devem ser honrados e respeitados todos os dias de nossas vidas, pois
eles possuem autoridade divina sobre nós.
Talvez a essa altura você esteja pensando: “Ah! se você conhecesse meu pai não
pensaria assim...” ou “Essa tal autoridade me deixou marcas profundas que
carrego até os dias de hoje!”. É diante de possíveis pensamentos como estes que
desejo encorajá-lo a reconstruir a imagem da figura de pai, sabendo que, se não
superarmos tal sentimento, estaremos sujeitos a reproduzir em nossos filhos,
conscientes ou não, as mesmas atitudes e erros de nossos pais, e que tanto nos
fizeram sofrer no passado.
O salmista afirma que Deus é o principal responsável pelo nosso nascimento.
“Contudo, tu és quem me fez nascer; e me preservaste, estando eu ainda no seio
de minha mãe” (Sl.22:9). Ele nos conhece de forma absoluta e deseja que sua
paternidade espiritual seja relevante em nossas vidas. É neste sentido que
precisamos reconstruir a imagem da figura do pai, não tomando como modelo o
homem mortal, egoísta e pecador, mas o exemplo do pai Emanuel, que nos ensinou
por meio da cruz que o caminho da cura, inclusive emocional, é a consciência da
enfermidade e a busca do amor e perdão.
Só assim descobrimos que nunca é tarde para corrigirmos a visão distorcida que
temos de Deus como nosso Pai, pelo fato de atribuirmos a essa imagem atitudes
humanas que nos feriram, e neste dia expressar aos nossos pais o caráter que
revela que somos realmente filhos de Deus, e não apenas criaturas.
O dom profético
da Igreja
Pr. Elvis Kleiber
A palavra igreja vem do grego “eclésia”, que significa: assembléia
ou ajuntamento dos santos. A Bíblia designa três nomes especiais para
descrevê-la. O autor da Carta aos Hebreus (Cap. 12:22) diz que “a Igreja é a
cidade do Deus vivo”, é a comunidade chamada por Deus e para Deus. O apóstolo
Paulo afirma a Timóteo em sua primeira carta (Cap. 3:15) que, além de ser a casa
de Deus, é “coluna e fundamento da verdade”. E por fim, escrevendo aos cristãos
de Corinto, o mesmo apóstolo ensina em sua primeira carta (Cap. 3:16,17) que
“somos o santuário de Deus” e em nós habita o seu Espírito. Mas que reflexo há
em nossa sociedade de uma Igreja comprometida com a justiça e a verdade?
A História da Igreja Cristã continua sendo escrita com suor, sangue e
lágrimas. Muitos dos seus personagens pagaram o preço de proclamarem o Juízo
Divino, em face da corrupção social, política e religiosa; e alguns o fizeram
com a própria vida.
O profeta Isaías, que possui um discurso voltado em torno do surgimento do
Messias, não deixou de lado as questões que afligiam o povo de sua época.
Profetizou contra as injustiças sociais dizendo: “As autoridades e governantes
vos enganam e aos poucos destroem essa nação. As suas casas estão cheias de bens
que roubaram dos pobres” (Is. 3:12-14) e “Ai de vocês que compram casas e mais
casas, que se tornam donos de mais e mais terrenos! Daqui a pouco não haverá
mais lugar para outros morarem, e vocês serão os únicos moradores do país” (Is.
5:8).
O profeta João Batista, precursor de Jesus, estava tão comprometido com a
verdade que foi preso por denunciar o tetrarca Herodes de possuir ilicitamente
Herodias, mulher de seu irmão Felipe. Por testemunho profético acerca do Juízo
de Deus, foi decapitado (Mt. 14:1-12).
Na época da reforma protestante, Lutero acusou o clero com relação à venda das
indulgências que sustentavam o luxo das igrejas banhadas a ouro e o interesse
conivente do Estado nesse comércio, enquanto entre os fiéis havia tantos pobres
e necessitados.
Hoje em dia há um silêncio corporativo na Igreja, que impede que exerçamos
influência diante de tanta impunidade vivida em nosso país. Cabe-nos não apenas
a representação de uma bancada parlamentar, mas acima de tudo coragem e lealdade
para tratar os interesses populares como prioridade diante dos interesses
privados.
Somos cidadãos de uma pátria superior, mas possuímos não só o dom profético no
sentido preditivo como também a responsabilidade de denunciarmos as injustiças
em contraste com a vontade de Deus para o governo desta nação.
A Igreja do Senhor Jesus é munida de um dom do Espírito, aclamado pelo
apóstolo Paulo em sua primeira Carta aos Coríntios como o “dom supremo”. O dom
que não se alegra com a injustiça, mas que se regozija com a verdade, o dom que
não nos permite estarmos tranqüilos e insensíveis enquanto a roça de centenas
não lhes traz o pão, enquanto a palma for o principal prato do dia de dezenas,
enquanto o amor estiver-se extinguindo no coração de tantos.
Precisamos cumprir por meio desse dom a vocação de anunciarmos a verdade,
aliando-nos aos menos favorecidos, e pregando as boas novas aos cativos pela
ambição, aos coxos de discernimento e aos cegos de justiça.
Evangelho: loucura para os sábios
Pr. Elvis Kleiber
No início da década de 60, certamente os cristãos reformados no Brasil eram
conhecidos pelas coisas que não podiam fazer e pela ênfase que davam ao céu como
morada eterna. Durante muitos anos perdurou a nítida idéia que eram pessoas
alienadas e desprovidas de cultura secular. O tempo passou e vejo que a leitura
que muitos fazem do evangelho e as críticas aos cristãos reformados não mudaram.
Bom seria que – assim como ocorreu no Renascimento, quando, através do estudo
da Bíblia nas línguas originais, se favoreceu o avanço do protestantismo – nos
nossos dias houvesse uma cosmovisão ampla do Evangelho e da pluralidade de
doutrinas e adeptos de seus ensinos. Talvez, assim, enxergássemos que os
cristãos mudaram juntamente com o mundo. Mesmo que alguns tenham esquecido o céu
e preguem bênçãos materiais na Terra, a premissa de que os cristãos reformados
são uma ala de ignorantes é no mínimo não conhecer a História.
Em seu livro “História do Pensamento Cristão”, Paul Tillich mostra que o
passado carrega o presente em si, e que só se pode viver plenamente no presente
estando aberto para o futuro, e em diálogo com o passado, interpretando seus
momentos e compreendendo seus movimentos.
Quando falamos de “crentes ou de Evangelho” sem aplicarmos essa propriedade à
luz da História corremos o risco de cairmos no vazio de nossas argumentações.
Por mais que façamos uma apologia de nossas ideologias e crenças, o povo baiano
espera muito mais do que um discurso sobre Fé e Razão. Há uma enorme necessidade
de ação concreta em favor daqueles que necessitam do Evangelho e das mudanças
sociais que a prática dele pode desenvolver em nossa sociedade.
Ao vermos hoje tantas pessoas dos mais diversos segmentos – na política, nos
esportes, no meio artístico, no jornalismo e na literatura – abraçarem a Fé
pregada nas Igrejas Católicas Apostólicas Reformadas, não podemos desprezar a
realidade de formadores de opinião que hoje se constituem os evangélicos, tanto
quanto os católicos e espíritas.
Quantas celebridades e personagens ilustres cooperaram para o desenvolvimento
e praticidade do Evangelho! Na Índia, por exemplo, sabemos que, mesmo não sendo
nativa, a Madre Tereza de Calcutá seria digna de ser chamada Mãe de Calcutá,
pelo exemplo de transformação social que pregou com a própria vida.
Infelizmente, hoje em dia, para receber tal honra, às vezes, não há necessidade
de tanta integridade.
No Brasil, poucas pessoas conhecem a história de um médico escocês chamado
Robert Reid Kalley, que teve como ilustre paciente o Imperador D. Pedro II. O
Dr. Kalley e sua esposa, Sara Poulton Kalley, foram os primeiros missionários a
pregarem o Evangelho Reformado no Brasil em língua portuguesa. Deixaram o Porto
de Southampton, a bordo do navio “Great Western”, de nacionalidade britânica, em
9 de abril de 1855, aportando em Funchal na Ilha da Madeira, antes de chegarem
ao Rio de Janeiro em 10 de maio do mesmo ano. Muitas foram as pessoas que,
apesar de viverem na mais absoluta pobreza, eram atendidas pelo médico do
Imperador. Kalley vivia o que pregava, e não fez de sua cultura uma barreira
entre ele e os incautos. Deixou-nos um legado através da Igreja Congregacional
no Brasil, a primeira Igreja Protestante brasileira.
Há um sábio pensamento que diz: “Pessoas inteligentes falam sobre idéias.
Pessoas comuns falam sobre coisas. Pessoas medíocres falam sobre pessoas”. Que
não sejamos medíocres em nome da “sã” doutrina que defendemos. Pois a Bíblia
ensina: “A loucura de Deus é mais sábia do que os homens, e a fraqueza de Deus é
mais forte do que os homens” (I COR. 1:25).
Fé e Finanças
Pr. Elvis Kleiber
Falar em dinheiro sempre
foi tarefa complexa, tanto no linguajar dos economistas, quanto para os líderes
religiosos que possuem a responsabilidade de instruírem as pessoas quanto a um
assunto tão importante na vida de todos. O pior é que, muito do que vimos e
ouvimos nos meios de comunicação em torno deste assunto, é semelhante a alguns
conceitos sobre sexualidade transmitidos na adolescência, que além de irreais e
descomprometidos com a moral e com a ética, passam a ser ensinados em tom de
consultoria psicológica. Por esta mesma razão, no tocante aos Dízimos e ofertas,
há tantos desvios nas relações entre o espiritual e o vil metal. Atrevo-me a
escrever estas linhas, com o desejo de provocar uma reflexão para com aqueles
que se tornaram céticos quanto ao assunto.
O Título propositalmente
já é de causar no mínimo desconfiança em quem acha que em geral, as Igrejas e
principalmente seus líderes possuem o interesse maior em “arrancar” dinheiro dos
fieis. Não Obstante a realidade dessa prática na História da Igreja cristã, não
há de minha parte interesse de julgar aqueles que ainda hoje, se utilizam desse
expediente para “pregar” as boas novas. Até porque, quando assim fazemos, além
de corremos o risco de argumentarmos fatos que já são públicos e notórios para a
sociedade, passamos a difundir atitudes que não glorificam a Deus. Deixo
portanto, que a consciência de cada leitor consiga no mínimo aceitar a realidade
de que mesmo sendo muito parecidos, Deus fará separação entre o joio e o trigo.
Neste mês nossa Igreja desenvolve o tema: “Família Unida”. Contamos com uma
programação voltada para o assunto e entre as abordagens para os casais, foi
dada ênfase à questão de finanças no lar. Fomos abençoados por intermédio de uma
palestra proferida pelo Reverendo Carlos Roberto, da Igreja Congregacional de
Jardim Cruzeiro em Feira de Santana.
De fato a bíblia nos ensina
muito sobre finanças. Questões relacionadas a impostos, avalistas,
investimentos, salário, avareza, riqueza, dívidas, pobreza, administração
financeira, etc... Tudo isso se apresenta por meio de vários provérbios,
parábolas e relatos, onde pessoas são desafiadas a lidar sabiamente com questões
financeiras. Isto nos leva a uma inequívoca declaração de que fé e finanças
possuem muito mais relação do que apenas a questão tão estigmatizada dos dízimos
e ofertas. Outro aspecto que desejo mencionar é quanto à relação entre
integridade, trabalho e fé no reflexo de nossa vida financeira. Hoje em dia é
muito comum a busca da fé que gera prosperidade financeira. contudo, a bíblia
nos ensina que mais importante do que prosperarmos é como isso acontece. Há
integridade no meu caráter e nas minhas negociações? Não me refiro apenas a
grandes investimentos ou transações, mas a pequenas e às vezes anônimas atitudes
que revelam meu caráter quando não estou sendo observado. “A justiça do íntegro
endireita o seu caminho, mas pela sua impiedade cai o perverso” (Pv.11:5).
Outra questão muito importante
é o trabalho. “Os bens que facilmente se ganham, esses diminuem, mas o que
ajunta à força do trabalho terá aumento”. (Pv.13:11). Não há do ponto de vista
bíblico, a possibilidade de alguém ser prospero financeiramente, sem que isso
seja fruto de trabalho e competência. Na ética de Deus não cabe existir uma
“loteria celestial”, embora, essa realidade pareça surgir na vida de muitos que
declaram que da noite para o dia simplesmente ficaram ricos. Deixemos que a
receita Federal se encarregue de explicar tal milagre. E finalmente, além da
integridade e do trabalho, é preciso muita fé para não se amar o dinheiro. “Os
que querem ficar ricos caem em tentação e cilada, e em muitas concupiscências
insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e na perdição.
Porque o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males; e alguns nessa cobiça, se
desviaram da fé, e a si mesmos se atormentaram com muitas dores”. ( I Tm.
6:9,10). Que Deus nos ajude.
Direito a quê?
Pr. Elvis Kleiber
Desde o final de semana passado
nossa Igreja entrou em clima de referendo. Substituímos o estudo do livro de
Apocalipse por um debate sobre desarmamento e proibição de venda de armas de
fogo e munição. Por sinal, acho que alguns irmãos nem sentiram muita diferença,
pois pela maneira como as informações são veiculadas para a população, esse
último tema parece ter se transformado em uma espécie de juízo final. De um lado
defendendo o desarmamento tivemos o jornalista e teólogo Laércio Pedro e do
outro o promotor aposentado Gilberto Caetano, ambos de nossa paróquia. Confesso
que me senti completamente confortável na posição de mediador desse debate.
Primeiro pela postura ética que minha posição requer, mas também pelo fato de
que vejo o “exercício desse direito” de maneira completamente incrédulo a muitos
argumentos que até agora tenho lido e ouvido.
Quais os direitos estarão sendo
defendidos? De quem são esses direitos? Quem os respeitará? Quem fiscalizará o
cumprimento de tais direitos? Observem que não estou entrando no mérito da
questão da proibição ou não, e sim, no jogo político e nos interesses econômicos
e ideológicos que estão por trás de mais uma tentativa de colocar sobre a
população a responsabilidade pela ineficiência de qualquer que seja os
resultados da proibição ou não da venda de armas. Afinal, o povo precisa
acreditar que estamos em país democrático, em que “nossos direitos” são
respeitados. E para isso, nada melhor do que esse tipo de manobra política
chamada de voto.
Fico pensando... porque
não há um referendo sobre a obrigatoriedade ou não do voto? Você caro leitor
está satisfeito em não ter o direito de não querer votar seja em qual for à
eleição? Imaginem queridos, estamos diante de um referendo onde há vários
argumentos sobre os “nossos direitos” e que na verdade nos privam do livre
arbítrio de decidirmos se queremos ou não exercê-lo. As contradições não param
por aí, os favoráveis a proibição falam dos “direitos garantidos no estatuto do
desarmamento” e eu pergunto: quantos eleitores votarão conhecendo tal estatuto?
O que há de verdade nas informações que são transmitidas sobre o referido
estatuto? Pois, recentemente foi tirada do ar por meio de liminar uma espécie de
“propaganda enganosa” sobre o estatuto. Os favoráveis a proibição, também pouco
dizem sobre a contribuição que o estatuto do desarmamento trará contra o crime e
a bandidagem. A idéia é que esse tipo de “Direito” será estudado depois, talvez
pelo Ministro da defesa que além de vice-presidente da república é empresário.
Ou seja, não entende nada sobre a pasta que assumiu.
Será que esses “direitos”
não estão no mesmo patamar dos vários outros estatutos existente no país e que
já nos acostumamos com sua ineficácia? Do outro lado, aqueles que são contra o
desarmamento e consecutivamente a favor da venda de armas, insistem em querer
nos convencer de que também estamos defendendo “nossos direitos”. Direito a que?
A continuar dando lucro aos que fabricam as armas? Ou seria o direito de provar
que nem todo cidadão que possui arma é um homicida? Confesso que também ainda
não entendi quais os direitos que tal posição defende, a não ser o inalienável
direito a legítima defesa. Mas até esse direito, o próprio Estado se encarrega
de nos privar quando rouba-nos a dignidade que as condições mínimas de
sobrevivência poderiam dar a população. É necessário maior privação a legítima
defesa do que a falta de Escola, de moradia, de saúde, de salários justos, e de
uma vida digna?
Querido leitor sei que
fiz muito mais perguntas do que esclarecimentos, mas confesso que tais
questionamentos me levam a concluir que nada sei e que preciso da orientação
Divina para tomar decisões. Espero que os resultados do referendo nos surpreenda
e que possamos viver dias em que acreditemos que temos direitos e que eles são
respeitados. Um forte abraço e vamos ao debate e ao “Direito do voto”.
O nosso
sofrimento indígena
Pr. Elvis Kleiber
A recente reportagem
veiculada no programa “Fantástico” no domingo passado me fez pensar na
intrigante capacidade da emissora ao associar as Missões evangélicas aos índios,
sempre o fazer de maneira pejorativa. Todos sabemos que a priori, os índios
foram explorados por todos os cristãos no período colonial. No entanto, a
exploração que eles são submetidos hoje, não é essencialmente religiosa e
cultural, e sim, semelhante ao descaso social em que milhões de brasileiros
também são vítimas. Mas a reportagem foi tão tendenciosa, que ao menos citou
outras iniciativas sociais que Missão JOCUM (Jovens com uma Missão) possui entre
os indígenas. E, diga-se de passagem, as obras filantrópicas e sociais
realizadas entre os índios por várias entidades religiosas em todo o país são
muito mais eficazes que os projetos paliativos do governo e com a vantagem de
não receberem propina exatamente por não se comprometerem politicamente com
qualquer bandeira partidária. Isso sim, incomoda.
Às vezes penso que quando
falamos sobre os índios estamos em outro país muito mais desenvolvido e
completamente distante de nossa realidade dita “civilizada”. Acontece que as
mazelas que cercam os índios são as mesmas que com o passar do tempo e em
decorrência da hipocrisia dos governantes, acabamos por nos acostumar a
convivermos pacificamente, a final, somos diferentemente dos índios um povo
“civilizado”. Acontece que qualquer olhar mais crítico sobre esse assunto,
desnudará a triste realidade de que as nefastas pragas sociais que cercam os
índios são as mesmas que estão ao nosso redor. Claro que em certo sentido, por
serem minoria e viverem extremamente fragilizados quanto à manutenção de seus
costumes e cultura, eles sofrem todo tipo de exploração.
Ainda bem, que a “falta
de civilidade” poupa os índios de outros sofrimentos que estamos acostumados a
conviver, tais como: ver aposentados com a saúde já debilitada dormir ao relento
nas portas dos INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social), em busca de
dignidade que o tempo parece querer negar-lhes. Os índios também estão livres da
dor da desilusão política que o voto obrigatório impõe-nos. Mas também há muitas
semelhanças. Como acontece em toda nossa História, eles continuam morrendo a
mingua sem qualquer tipo de assistência como muitos outros brasileiros. Esse foi
o tema de um artigo que escrevi nesta coluna (A Tarde 31/03/2005), quando
chamava atenção para as mortes dos indiozinhos no Mato Grosso do Sul. Naquela
época, uma Comissão Externa da Câmara dos Deputados, proposta pela deputada
Perpétua Almeida (PCdoB/AC) investigava os casos para descobrir os motivos das
mortes das crianças e apontar soluções emergenciais para o fato não se repita.
Apesar de não sabermos o
que de fato foi apurado até o presente momento, naquela região existe um
Hospital mantido pela Missão Evangélica Kaiowá chamado de Porta da Esperança que
há 70 anos vem recebendo doentes indígenas. A exploração dos indígenas é a mesma
que também nos assola. É a exploração social e não religiosa que faz a
desnutrição ser um problema estrutural nos locais onde vivem os índios, exigindo
políticas públicas que possam dar resposta imediata ao problema. Dizer que as
Missões evangélicas se aproveitam disso para “alienar” os índios e afastá-los de
sua cultura, é querer “tapar o sol” com a peneira.
Conheço pessoalmente o
trabalho da JOCUM, e sei que seus líderes são pessoas sérias que não fazem da fé
um instrumento de barganha como outros evangélicos. Se os queridos leitores
quiserem comprovar o que digo, procurem os moradores vizinhos da base da Missão
aqui em Salvador, localizada na fazenda casanges em São Cristóvão, e ouçam o que
eles dizem sobre o trabalho que é desenvolvido na comunidade. Vejam se
católicos, espíritas e os seguidores das religiões de matizes africanas são ou
não bem recebidos e atendidos pelos diversos projetos desenvolvidos pela Missão.
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