Igreja Evangélica Congregacional

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Artigos

 

 

 

. Ingredientes para a vida                                                                                                        

. Impostos e justiça social

. Jesus: venceu, vive,voltará

. Amputações que trazem benefícios
. Escola dominical faz 150 anos
. Ninguém sabe, ninguém viu
. Dízimos e dividendos
. Carnaval: ópio do povo

. Da manjedoura ao calvário
. A farda e o crime
. Visão do alto
. Desequilíbrio e extinção
. Duvidando do poder de Deus
. Personal fé: um exercício saudável
. O dia que esqueceremos da morte
. Comunhão: lembrança diária
. Um médico especial
. Herdeiros dos céus
. Liberdade duradoura ou vingança infinita?
. Leis temporais e princípios eternos
. O seqüestro da independência
. A divindade da mídia eletrônica
. Religião e solidariedade
. Congregacionais: pioneirismo evangélico
. Reconstruindo a imagem de pai
. O dom profético da Igreja
. Evangelho: loucura para os sábios

. Fé e Finanças

. Direito a quê?

. O nosso sofrimento indígena

 

 

 

Ingredientes para a vida

 

     Luiz Carlos Souza

 

     Como para se preparar uma receita de bolo ou qualquer tipo de alimento, a vida requer ingredientes indispensáveis para o seu bom funcionamento que pode torná-la mais saudável e feliz. O apóstolo Paulo após brilhante dissertação a respeito do amor, que foi cantada em prosas e versos, “ainda que eu falasse a língua dos homens e dos anjos, se não tivesse amor seria como um metal que soa ou como um sino que retine”, (I Corintios:13), coloca três ingredientes que considera de suma importância para nossa vida: “Agora permanecem a fé, a esperança e o amor. Estes três, porém o maior destes é o amor”. Considerar a vida sem esses elementos é torná-la vazia, infeliz e infrutífera.

 

     Muito se tem falado e discutido sobre amor, porém, quando vemos tanta violência, tanto ódio e tantas falcatruas, ficamos a pensar se ele realmente existe. No mundo moderno somos cada vez mais chamados a uma vida competitiva onde não encontramos espaço nem tempo para o outro. O corre-corre do dia a dia leva-nos a nos ocupar com os nossos afazeres, esquecemos que do nosso lado há alguém precisando de um apoio, de uma palavra amiga ou de um pedaço de pão. As nossas lutas são tantas que as vezes ficamos insensíveis com o sofrimento alheio. Quantos de nós reserva um tempo para conversar com um menino de rua, visitar um enfermo que não seja parente, ou fazer uma visita a um abrigo de velhos ou a uma penitenciária? Quantos de nós leva um lençol ou um prato de comida para um morador de rua, mesmo sabendo que estes existem aos milhares em nossas cidades?

 

     Em seu discurso sobre o amor o apóstolo Paulo disse que o amor é sofredor, é benigno, não é invejoso, tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor é doação. É compartilhar com as alegrias e com o sofrimento do outro. É estar do seu lado nos momentos mais difíceis. Amar é respeitar o outro, compreender as suas diferenças, ajudar nas suas fraquezas, perdoar quando este lhe ofender, corrigí-lo quando necessário, levantar quando o outro cair. Amar é dar uma palavra amiga de ânimo, de exortação e de carinho. Jesus nos ensinou que o amor a Deus e ao próximo deve ser prioritário em nossas vidas.

 

     Na parábola do bom samaritano Ele ensinou como deve ser o amor ao próximo: desprendido, incondicional e sem esperar recompensa.. Ele ainda demonstrou com a sua própria vida o verdadeiro amor de Deus. “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu seu Filho Unigênito para que todo aquele que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”(João 3:16). O outro ingrediente que o Apóstolo menciona é a fé. Ele mesmo a define como “o firme fundamento das coisas que se esperam e prova das coisas que não se vê.” A fé é o dínamo que impulsiona nossa vida, nos conduz à vitória e nos motiva a atingirmos os nossos objetivos. Nossa fé deve ser firme, constante e persistente; não devemos desanimar nos momentos difíceis. A fé deve ser bem direcionada.

 

     Não devemos depositar nossa fé em bases falsas, em coisas ou pessoas que não pode nos ajudar. Cristo, o Filho de Deus, é o único em quem podemos realmente confiar. Jesus disse que “tudo que pedirdes ao Pai em meu nome eu farei.”(Ev, de João 15). A fé foi a condição exigida por Cristo para que possamos atingir a nossa salvação, bem como para que os nossos pedidos sejam alcançados. “Não te disse eu, se creres verás a glória de Deus?”(Ev. João.11). Jesus afirmou que se tiverdes fé do tamanho de um grão de mostarda direis a este monte passa daqui para acolá e será feito. Isso significa que não há impossíveis para aquele que crê. O terceiro ingrediente é a esperança. Esperança é a certeza de que temos algo pela frente muito melhor do que estamos vivenciando hoje. É a confiança de que alguma coisa vai mudar e que Deus tem algo melhor para nós.

 

     No mundo em que vivemos tão cheio de problemas, devemos confiar que Deus está no comando e ter esperança de que Ele virá para estabelecer a ordem das coisas. Deus cumpre as suas promessas. O Apostolo Paulo escrevendo para seu amigo Timóteo, afirma que “Deus é o nosso Salvador e Jesus Cristo é esperança nossa.” Nossa esperança deve estar firmada nas promessas daquele que, através da sua morte e ressurreição, nos garante a vida eterna. O apóstolo disse que não devemos nos entristecer como os demais que não tem esperança. Alguns cristãos do primeiro século aguardavam a volta de Cristo para aqueles dias, como isto não aconteceu ficaram desanimados. Paulo escreve fortalecendo a fé e a esperança, afirmando que um dia, não determinado, Cristo voltará e resgatará os seus, conforme Ele prometeu. (I Tess.4,5) Essa deve ser a nossa esperança. Os ingredientes da fé, esperança e amor devem fazer parte do dia a dia das nossas vidas. É uma maneira sábia para alcançarmos uma vida feliz.

 

 

Impostos e justiça social

Luiz Carlos Souza

     O governo brasileiro comemora uma arrecadação de impostos recorde, que deverá fechar o final do ano acima dos oitocentos bilhões de reais, valores estes extraídos do bolso do povo. Todos sabem que, além de impostos pagamos juros extorsivos que engordam as poupanças (físicas e econômicas) dos banqueiros. Não se entende porque os bancos pagam uma taxa de 11,25% ao governo e cobra do povo em média 140% de juros nos cheque especiais e cartões de crédito. Não satisfeitos, ainda cobram tarifas de todo tipo que retiram dos trabalhadores e aposentados parte dos seus proventos, para no final do ano contabilizar os bilhões de reais de lucro. Brigou-se tanto por causa da CPMF, que correspondia a 0,38% de qualquer operação bancária, e ninguém questiona as alíquotas de 15% e 27,5% do Imposto de renda, que sugam as economias de grande parte dos assalariados. O trabalhador brasileiro é vitima das maiores explorações econômicas do mundo, paga de impostos o equivalente a quatro meses de trabalho por ano.

     É lamentável que, apesar desta polpuda arrecadação, comemorada pelo governo, diga-se de passagem, o presidente Lula, em um dos seus discursos, disse que o Brasil não precisa ter medo de arrecadar mais, o que se espera que mais “bombas” ainda virão pela frente. Vivemos em um país das maiores disparidades sociais do mundo. Não precisa ir longe para vermos milhões de pessoas desempregadas, dormindo nas ruas sem ter onde morar, ou morrendo nos hospitais à espera de um atendimento, um sistema de saúde extremamente precário, ensino público falido, estradas e rodovias esburacadas e por aí vai. Se paga muito caro para ter uma boa escola ou uma boa assistência médica; isso é privilégio de poucos. Hoje já estamos vendo os resultados desta política equivocada que abandona as crianças nas ruas e deixa os pais à mingua. Multiplicam-se as favelas nas periferias das cidades, aumenta a violência, superlotam as cadeias e espalham fome e doenças por todo lado.

     E para onde vai toda essa arrecadação feita pelo governo? Temos uma máquina administrativa obesa, com excesso de ministérios, secretarias, e órgãos que são criados a cada dia para atender a interesses políticos. O nosso Congresso com seus quinhentos e cinqüenta parlamentares, milhares de assessores e uma farta mordomia, custa aos cofres públicos cerca de três bilhões de reais ao ano. Calcula-se que o custo de cada deputado daria para pagar 680 professores do terceiro grau. Aliás, já existe uma campanha por parte de alguns professores universitários solicitando a troca de um parlamentar por 340 professores, o dinheiro restante seria aplicado na construção e manutenção das escolas e universidades. Se isso fosse levado a sério acredito que teríamos uma melhora considerável no ensino do nosso país e ficaríamos mais aliviados das tramóias e falcatruas feitas por grande parte dos parlamentares, que tem envergonhado a nação e, na maioria das vezes, permanecem impunes. Os parlamentares restantes teriam que trabalhar cinco dias da semana como todo o brasileiro; reduzir os seus períodos de férias e se aposentar com sessenta e cinco anos ou trinta e cinco anos de trabalho; com essa mudança teríamos o fim das convocações extras e dos famigerados getões.

     Não são apenas os deputados que levam o dinheiro dos impostos. No Brasil existe uma casta de elite cheia de privilégios e mordomias comparadas à dos imperadores romanos, mesmo mudando o governo continuam com as mesmas regalias, a custa da miséria e pobreza dos milhões de brasileiros. Ministros, juizes, secretários, militares do alto escalão ganham muito mais que um professor universitário com dedicação exclusiva ou que um médico plantonista que dá a sua vida para salvar a vida dos outros.

     Nesta coluna que trata de religião porque dizemos estas coisas? Como cristãos não devemos ficar passivos diante de uma política extorsiva e injusta e um poder econômico capitalista perverso impostor por empresários inescrupulosos, que visam tão somente seus próprios interesses. Não devemos compactuar com qualquer tipo de injustiça seja ela de que partido for. Como os profetas do Antigo Testamento devemos anunciar que Deus fará justiça em toda a terra, e em breve: “Ai dos que decretam leis injustas, e dos escrivães que escrevem perversidades, para privar da justiça os pobres, e para arrebatar o direito dos aflitos do meu povo, despojando as viúvas e roubando os órfãos!”(Isaías 10:1). O que o nosso País precisa é uma postura mais ética por parte dos governantes, políticas justas que atendam os apelos dos necessitados, de uma distribuição de renda mais justa e menos exploração econômica. Não é somente aumentando impostos que se governa, mas com redução de despesas, evitando os desperdícios, com combate à corrupção e à impunidade que são as maiores vergonhas nacionais. Deve-se administrar os recursos do povo com responsabilidade. Faz-se urgência neste país uma mudança de comportamento, do grego “metanóia”, conforme nos ensinou o Senhor Jesus: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo com a ti mesmo”. Nenhum cargo, nenhum governo, nem mesmo esse sistema político são eternos. Um dia todos teremos de prestar contas a Deus pelos nossos atos. Aí não haverá mais “pizzas”.

O autor é bacharel em teologia e membro da Igreja Evangélica Congregacional de Salvador. Luizsouza_ba@yahoo.com.br

 

Jesus:venceu, vive,voltará

Luiz Carlos Souza

     O nascimento de Jesus foi anunciado pelos profetas do Antigo Testamento por mais de quinhentos anos antes da sua chegada. Os anúncios foram tantos que pessoas comuns, que não conheciam muito acerca das Escrituras, como a mulher samaritana, sabiam que o Messias viria e “iria nos ensinar todas as coisas” conforme foram suas palavras com o próprio Messias. O Rei Herodes mandou consultar os magos para saber onde nasceria o Salvador, não conseguindo encontrá-lo, mandou matar todas as crianças de Belém com menos de dois anos.

     A vida de Jesus foi marcada pelo sofrimento, amor ao próximo, desprendimento e muita luta cujo objetivo principal era a salvação da humanidade. A maneira como Ele pregou as boas novas, os milagres operados que atraíram multidões, sua luta contra os fariseus por uma religião mais autêntica e humana, a quebra de alguns princípios como, curar em um dia de sábado gerou a inveja e perseguição das autoridades religiosas da época, que decidiram pela sua morte. Jesus não se intimidou com as ameaças, Ele tinha uma missão a cumprir e foi até o fim. A sua morte na cruz não foi uma fatalidade histórica, nem um desse infortúnios que passamos na vida que muitas vezes não temos uma explicação lógica, mas, foi parte do plano de Deus para nossa redenção. A sua morte foi o único meio encontrado por Deus para remissão dos nossos pecados. O profeta Isaias já havia prenunciado: “Ele foi ferido pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades, o castigo que nos traz a paz estava sobre Ele e pelas suas pisaduras fomos sarados”(Isaías 53:5). Jesus sabia todo o sofrimento que iria passar, mas não recuou, o cálice era difícil e amargo, mas ele bebeu por amor de todos nós.

     A morte de Cristo, que para os judeus era o fim de uma saga que eles imaginavam não ter muitas conseqüências, marca um novo capítulo na história da humanidade. Assim como eles sabiam das profecias referentes ao seu nascimento, também sabiam do anuncio da sua ressurreição. De nada adiantou colocar guardas para vigiar o sepulcro e espalhar a mentira de que os discípulos haviam roubado o seu corpo. Jesus ressuscitou! Foi a vitória da vida sobre a morte, do bem sobre o mal, do amor sobre o ódio, da verdade sobre a mentira. Foi a vitória do poder de Deus. O apóstolo Pedro em seu discurso para os judeus afirmou: “Mas Deus o ressuscitou, soltas as ânsias da morte, porque não era possível que fosse retida por ela” (Atos 2:24).

     A ressurreição de Cristo veio oportunizar ao homem uma nova relação com Deus. Seu projeto inclui a participação humana de fé no seu sacrifício, obediência à sua palavra e amor para com o próximo. A reconciliação com Deus se dá na medida em que aceitamos o seu Filho como Senhor e Salvador. A mensagem do Evangelho atingiu milhões de vidas que foram transformadas, que saíram das incertezas desta vida e passaram a uma atitude de fé, de esperança no Redentor. A sua mensagem ultrapassou as barreiras da intolerância, das nossas incompreensões e mazelas, das perseguições políticas e das guerras e está bem viva no coração de muitos dos seus seguidores, que anseiam pela concretização do estabelecimento do seu Reino aqui na terra. Dois mil anos já se passaram desde quando Jesus aqui esteve e continuamos aguardando o seu retorno, conforme Ele nos prometeu: “Na casa de meu Pai há muitas moradas, vou preparar-vos lugar. E se eu for preparar lugar virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estou estejais vós também.” (João 14:2-3).

     A volta de Jesus foi amplamente anunciada nos Evangelhos, nos atos dos apóstolos, nos ensinos do apóstolo Paulo e no livro do Apocalipse. No momento de seu retorno aos céus dois anjos apareceram aos discípulos e disseram: “Varões galileus, por que estais olhando para as alturas? Este Jesus que dentre vós foi assunto aos céus, voltará do mesmo modo que o vistes subir.” Em nenhum momento Jesus marcou data de quando será o seu retorno, no entanto, deixou uma série de sinais que o antecederia. “E ouvireis falar de guerras e rumores de guerras. Levantar-se-á nação contra nação, reino contra reino, e haverá fome, pestes e terremotos em vários lugares. Nesse tempo muitos se escandalizarão, trair-se-ão mutuamente e se odiarão uns aos outros. Surgirão muitos falsos cristos e falsos profetas e enganarão a muitos. E por se multiplicar a iniqüidade o amor de muitos se esfriará. E este Evangelho do Reino será pregado por todo o mundo, em testemunho de todas as nações. Então virá o fim.” (Mateus cap.24). Estas são algumas das profecias que Jesus fez, alertando-nos para que estejamos preparados. A volta de Cristo será marcada por tristeza e dor para aqueles que não creram e que terão de prestar contas de seus atos e hinos de vitória para aqueles que nele esperam e confiam. Ninguém estará imune ou isento diante de Deus. A sua Palavra nos garante que até o mar dará os seus mortos; e que “todos nós teremos de comparecer diante do Tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou mal que tiver feito por meio do corpo.”(2Coríntios-5:10). Viver com o Senhor Jesus aqui neste mundo é a melhor forma de nos prepararmos para o encontro com Ele na sua volta.

O autor é bacharel em teologia e membro da Igreja Congregacional de Salvador. Luizsouza_ba@yahoo.com.br

 

 

Amputações que trazem benefícios

Pr. Elvis Kleiber


     Há uma citação bíblica em que Jesus fala de determinadas amputações que são benéficas. “Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti; pois te é melhor que se perca um dos teus membros do que seja todo o teu corpo lançado no inferno. E, se a tua mão direita te faz tropeçar, corta-a e lança-a de ti; pois te é melhor que se perca um dos teus membros do que vá todo o teu corpo para o inferno.” (Mt. 5:29,30) Essas palavras simbolizam a necessidade de uma ação preventiva contra o pecado. Pois, caso contrário, ele se alastra e pode causar a destruição total da alma. As palavras de Jesus podem até soar como uma espécie de radicalismo religioso doentio, mas sua aplicação vai muito além da esfera espiritual. É o que, por exemplo, temos observado no atual cenário político.
     Depois de um pronunciamento em que afirmou que “se necessário, cortaria na carne”, o presidente Lula se intitulou como “o principal guardião da respeitabilidade das instituições deste País”. O tempo passou e, com o avanço das investigações e as constatações de indícios da conivência de integrantes da cúpula petista nas denúncias, a credibilidade do governo desgastou-se ainda mais e o “corte na carne”, adiado, se transformou em pedidos de afastamento pelas próprias vítimas. Primeiro, o ministro José Dirceu, agora, o secretário-geral do PT, Silvio Pereira, e o tesoureiro Delúbio Soares. O certo é que, para a opinião pública, não haverá tolerância para corrupção, quer esteja ela movida pela máquina governante ou por aliados que passaram a ser rotulados de “más companhias”. O desdobramento da crise é visível no desfacelamento do PT, que passou a ter uma ala de esquerda que, antes das renúncias, já defendia o afastamento imediato da atual direção partidária, em especial do presidente nacional, José Genoino.
     Agora, tardiamente para reagir à crise, Lula decidiu fazer uma reforma ampla em sua equipe de governo, cargos do segundo escalão e diretorias das principais estatais. A ordem é tirar do governo todos aqueles que tenham sido citados em denúncias de corrupção. Haverá tempo de evitar uma “gangrena” no governo? Por quais razões nomes como o do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, sob investigação e com processo na Justiça autorizado pelo STF (Supremo Tribunal Federal), e o ministro Romero Jucá, também respondendo a processo, só agora são substituídos? E o que dizer da resistência do próprio PMDB em aceitar a cortesia de novos ministérios em um governo que não sabemos mais ao certo quem é aliado e quem é oposição, quem é culpado e quem é inocente?

Porém, minha maior indignação durante a semana não foi exatamente a falta de reação do governo em meio à crise mas, sim, a afirmação do presidente da Câmara, deputado Severino Cavalcanti, que disse: “Da maneira como está indo a coisa, eu estou vendo que não escapa nem Jesus Cristo.” Vou respeitosamente classificar tal expressão apenas como herege, embora caibam também outros adjetivos. Se o deputado Severino praticasse o que Jesus ensina sobre honestidade e integridade, certamente ele seria um político muito diferente. Ele não compraria cargos e privilégios por meio de sua atividade política beneficiando seus familiares. Ele não prestaria um desserviço ao Estado de Pernambuco, do qual sou filho e conheço de perto suas artimanhas eleitorais. Se o deputado Severino Cavalcanti tivesse conhecimento do texto que citei no início desta reflexão, ele aprenderia que na ética de Jesus “cortar na carne” é muito mais que um discurso, é um desafio para que os homens amputem suas mazelas interiores mesmo que isso lhe custe qualquer tipo de perda. Minha única reação agora é dizer como Jesus: “Pai, perdoa-lhe, ele não sabe o que faz, nem muito menos o que diz.”
 


Escola dominical faz 150 anos

Pr. Elvis Kleiber


     Todos os domingos, milhares de pessoas se deslocam para uma escola muito especial, chamada de Escola Bíblica Dominical. Acontece que poucos conhecem a história da fundação deste importante departamento, presente em quase todas as igrejas evangélicas no País. A história da implantação da Escola Bíblica Dominical se funde com o surgimento da Igreja Evangélica Congregacional, que comemora amanhã, dia 19 de agosto, 150 anos de fundação. É a primeira Igreja Evangélica fundada no Brasil. Mas essas conquistas vão além de seus aspectos religiosos. Na esfera social, o congregacionalismo, na pessoa de seu fundador, o médico e missionário escocês Robert R. Kalley, ocupa um lugar honroso no movimento missionário protestante, destacado como pioneiro em países de língua portuguesa dos dois lados do Atlântico. Lutando contra imensas dificuldades sociais como médico e com uma ferrenha oposição religiosa como missionário, ele foi instrumento para a consolidação de importantes avanços em busca da cidadania e tolerância religiosa e racial que ainda hoje tantos defendem.
     Robert Reid Kalley (1809-1888), médico escocês, natural de Mount Florida, nos arredores de Glasgow, nasceu no dia 8 de setembro de 1809. Em 1829, diplomou-se como cirurgião e farmacêutico pela Faculdade de Medicina e Cirurgia de Glasgow, tendo feito os seus estudos práticos no Hospital Real dessa cidade. Em conseqüência do grave estado de saúde de sua esposa, resolveu ir para a Ilha da Madeira, na costa portuguesa, aonde chegou em 1838. No ano seguinte, foi ordenado ao ministério pastoral, no dia 8 de julho. Em 1840, fundou um hospital e também enfrentou uma terrível perseguição, acusado de apostasia, heresia e blasfêmia. Sua casa foi invadida e destruída por homens que tinham ido eliminá-lo. Sem outra alternativa, depois da fuga embarcou com a família em um navio inglês que partiria para as Índias Ocidentais. Após a morte de sua esposa, casou-se, em 1852, com D. Sarah Poulton Kalley.
     Em 10 de maio de 1855, aportava no Rio de Janeiro o vapor Great Western, da mala real inglesa. Nele vinham, entre outros passageiros, o Dr. Kalley e sua esposa, D. Sarah, para iniciarem nessa terra um trabalho que duraria 21 anos e 57 dias. O Rio de Janeiro de 1855 era uma cidade com cerca de 300 mil habitantes. Havia cerca de 50 igrejas e capelas espalhadas pela cidade. A religião do império era a católica. Kalley, chegando ao Rio foi instalar-se em Petrópolis, numa mansão conhecida como Gernheim, que significa, “Lar muito amado”, antes habitada pelo embaixador dos EUA, Mr. Webb.
     A primeira classe de Escola Bíblica Dominical se deu em 19 de agosto de 1855 com a iniciativa de sua esposa D. Sarah Poulton Kalley, que reuniu em sua residência cinco crianças e contou-lhes a vida do profeta Jonas. Naquele domingo surgia o primeiro trabalho evangélico em solo brasileiro, em língua portuguesa e de caráter permanente. A evangelização continuou e, em 11 de julho de 1858, foi fundada a primeira Igreja Evangélica do Brasil, chamada de Igreja evangélica Congregacional Fluminense, no Estado do Rio de Janeiro. Robert Kalley conquistou por sua habilidade, simpatia e integridade moral e ética, a confiança da corte portuguesa tornando-se médico e amigo do imperador. Seu trabalho filantrópico de atendimento médico logo repercutiu entre o povo, que percebeu que o Dr. Kalley dedicava-se a todos os seus pacientes indistintamente, oferecendo-lhes também uma mensagem de cura para a alma. Seu trabalho missionário e sua luta em defesa da liberdade de culto e dos mesmos direitos sociais para os não católicos romperam as barreiras do sectarismo.
    Entre as principais conquistas destacam: o reconhecimento oficial à liberdade de culto e ao casamento de não-católicos, registro civil dos filhos e registro de óbitos em cartório para todos os não-católicos. Direito a sepultamento em local reservado aos “protestantes” no cemitério público, até então restrito aos católicos. Os primeiros protestantes que aqui chegaram em sua grande maioria eram escravistas apesar de toda incompatibilidade entre a escravidão e a fé cristã, não havia interesse na maioria em se opor à escravidão. Neste período, Robert Kalley, abolicionista convicto, chegou a expulsar um membro da sua igreja por não ter libertado os seus escravos. Louvamos a Deus por esse legado histórico de luta em prol da tolerância e igualdade religiosa e racial. Parabéns aos congregacionais e a todos os alunos de Escolas Bíblicas Dominicais das Igrejas reformadas espalhados pelo Brasil.
 

 

Ninguém sabe, ninguém viu

Pr. Elvis Kleiber


     Não é só a dinheirama envolvida no escândalo de corrupção que surpreende os brasileiros, mas, sobretudo a capacidade de os depoentes se esquecerem de fatos que, a menos que a psiquiatria me desminta, é prova evidente de puro cinismo e hipocrisia. À medida que as investigações avançam, parece-me que os acusados se tornam mais esquecidos e assumem como defesa a tese insustentável de que não sabiam do movimento financeiro e não participavam do esquema.  Conseguiremos passar o Brasil a limpo? Como chefe da Nação, não estaria na hora de o presidente Lula assumir publicamente os erros e as responsabilidades inerentes à sua função? Ou continuará discursando como candidato a reeleição quando outrora dizia que a instauração da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) dos Correios era manobra eleitoreira da oposição? O povo brasileiro sofre toda esta decepção, porém precisamos enxergar o amadurecimento político que toda esta lama de corrupção trará para a sociedade no futuro. Embora não saibamos o que ocorrerá em 2006, o certo é que a voz da opinião popular, muito diferente dos discursos dos depoentes na CPI, será verdadeira e manifestada de forma irrevogável nas urnas.
     Episódio semelhante ao que ocorre em Brasília repetiu-se em Fortaleza-CE. Refiro-me ao assalto à sede do Banco Central, tido como o maior já realizado no País. De acordo com a Polícia Federal, entre seis e dez homens participaram da ação, descoberta na manhã de segunda-feira, dia 8, com a chegada de funcionários. Segundo os peritos, o assalto foi planejado há mais ao menos três meses, período em que os ladrões alugaram uma casa perto da sede do banco, no centro da cidade. Eles reformaram o imóvel e montaram até uma empresa de fachada, Gramas Sintéticas, de venda e plantio de gramas naturais e artificiais, o que ajudava a justificar a retirada freqüente de terra, resultado da escavação realizada em um dos cômodos da casa. Uma ação desta natureza, que subtrai mais de 150 milhões de reais de um cofre onde teoricamente se diz que é de segurança máxima e nada se vê e nada se sabe, mostra-nos que esse “vírus” se alastra.
     Há, no entanto, algumas semelhanças entre os dois episódios. Primeiro, porque no escândalo de corrupção vemos irrefutavelmente a aproximação pessoal e comercial entre os corruptores e aqueles que manipulavam e exerciam o poder. Já em Fortaleza, a estratégia também foi a mesma, aproximar-se ao máximo da “estrutura” (Banco Central), para poder saqueá-la posteriormente. Outros fatores semelhantes são as estratégias dos dois esquemas. Em Brasília, a corrupção possuía tentáculos que se ramificam em várias instituições públicas e privadas e, ao que apontam as investigações, havia muita “competência” na ação de corromper. O mesmo ocorreu em Fortaleza, onde vemos uma “equipe” altamente profissional e organizada que, depois de aproximar-se do prédio do banco, planejou os mínimos detalhes da operação milionária que surpreendeu os próprios policiais. E, finalmente, as semelhanças se fundem no discurso dos depoentes ou testemunhas. Em Brasília, anos e mais anos de corrupção e ninguém sabia do esquema. Em Fortaleza, pelo menos três meses escavando um túnel onde foi retirada uma quantidade de areia relativa a seis caçambas e subtraído o equivalente a três toneladas e meia em notas de 50 reais e, da mesma forma como ocorre em Brasília, ninguém sabe, ninguém viu.
     Uma coisa sabemos com certeza, é que os “olhos” de Deus estão por toda parte, contemplando a todos indistintamente. Ele continuará promulgando e exercendo a única justiça que conhecemos que não se corrompe e não falha. Essa é a nossa esperança!
 

 

Dízimos e dividendos

Pr. Elvis Kleiber


     Vez por outra, recebo um e-mail de algum leitor, que me questiona quanto ao que escrevo acerca dos próprios evangélicos. “Não deveria o senhor usar esse espaço para pregar o Evangelho ao invés de criticar Igrejas e líderes?” Escreveu-me com muita veemência um leitor. Como sempre faço com os e-mails que recebo, respondi-lhe que procuro adotar uma postura ética, quando comento acerca de nossas próprias feridas sem fingir que elas não existem. E quando exponho algum outro segmento político ou religioso, procuro fazer não de forma pessoal ou arrogante, mas, sobretudo, argumentando as questões com uma preocupação apologética de quem sabe que, discurso profético, biblicamente falando, não produz simpatia e popularidade. Iniciei esta reflexão com esse comentário, por acreditar que poderei mais uma vez ser criticado. Mas que importa? Certamente há muita gente como Confúcio, Galileu, Pitágoras e Jesus que também foram mal entendidos e criticados. Estarei em boa companhia.
     Não é novidade para os cristãos sentirem que algo errado anda acontecendo com a Igreja de Jesus na terra. Ela como uma noiva que deveria expressar o símbolo da beleza e pureza nupcial, encontra-se enrugada e com sua moral comprometida pelos que a usam como um instrumento de conquista dos dividendos da Terra. Embora haja muitas exceções entre sacerdotes e igrejas que não pratiquem essa conduta mercadejante, os escândalos são inevitáveis. Li recentemente algumas declarações de líderes de alas distintas do cristianismo e percebi um ponto comum entre eles no que tange ao enfraquecimento do testemunho da Igreja. Entre os cristãos católicos, o pronunciamento de Dom Eugênio Sales, arcebispo emérito do Rio de Janeiro ao jornal do Brasil: “Dizem que são 122 milhões de católicos batizados no Brasil. Se saísse a metade, a Igreja não ficaria prejudicada”. Entre os evangélicos, pergunta o reverendo Russell Shedd escrevendo a revista ultimato: “Somos aproximadamente 25 milhões de evangélicos no Brasil. Onde está o poder dessa multidão?”
     A apreensão de sete malas contendo cerca de R$ 10 milhões em Brasília-DF somou mais um escândalo na lista de tantos outros entre os cristãos. Em nota oficial, a Igreja Universal do Reino de Deus informou que o dinheiro apreendido “é resultado de doações de fiéis”. Segundo o deputado João Batista, um dos líderes da referida Igreja, a avultada quantia foi arrecadada no fim de semana durante as comemorações dos seus 28 anos. No entendimento do mesmo, “R$ 10 milhões é pouco”, referindo-se aos milhões de féis existentes. Não desejo tecer comentário algum sobre a veracidade ou não da origem desse dinheiro ou mesmo de qualquer relação com os últimos fatos políticos. No entanto, vejo a necessidade de expor que casos como estes não podem ser tidos como regra para o entendimento de como as Igrejas de modo geral lidam com os dízimos e ofertas.
     A prática dizimal é oriunda do antigo testamento como instrumento que garantia a manutenção do ofício sacerdotal e sua própria estrutura. A ganância e a exploração parece que, ao longo de sua história, sempre rondaram a Igreja. No entanto, com o passar dos tempos, essa prática incorporou-se a uma teologia utilitarista, que faz da fé um grande negócio. Faz-se necessário que o leitor esclarecido compreenda que as Igrejas Cristãs, sejam elas evangélicas ou Católicas, possuem teologias, doutrinas e práticas eclesiásticas distintas. Nesse aspecto, é claro e evidente que no meio evangélico também há muita inversão de valores e muitas pessoas sendo atraídas por um “evangelho de resultados”. Porém, em contrapartida, ainda há muitas Igrejas que não praticam esse tipo de “comércio da fé” e ensinam que a motivação correta em ofertar ao Senhor é completamente diferente de barganhar com Ele, como se o dízimo ou as ofertas fosse uma espécie de “fundo de investimento espiritual”.
     Ao contrário disso, a Bíblia ensina-nos que o que fez uma viúva pobre ofertar dois leptos (pequenas moedas de cobre quase sem valor) não foi seu desejo em fugir da falência ou buscar prosperidade material, ou até mesmo a cura de alguma doença terminal. Mas, sim, sua devoção altruísta. Jesus afirmou que, por causa dessa íntima motivação sincera, ela havia ofertado muito mais do que as demais quantias depositadas pelos ricos que para ali concorriam. A lição é que Deus, além de sondar nossos corações, ele não contabiliza como o homem. Para ele, dez milhões podem ser centavos e centavos, milhões.
 

Carnaval: ópio do povo

Pr. Elvis Kleiber

  Aproximam-se os dias da maior festa popular do País difundida no mundo inteiro por sua alegria e libidinosidade. Certamente o saldo não será muito diferente dos anos anteriores, onde se observa um aumento na criminalidade, proliferação de Aids, acidentes automobilísticos etc. Tudo regado a muito samba e cerveja em nome da alegria e da paz. A palavra de ordem nestes dias é extravasar todo tipo de emoção, desejo e fantasia.
  O Carnaval teve sua origem no mundo cristão medieval, como um período de festas profanas que se inicia no Dia de Reis e se estende até a Quarta-feira de Cinzas. A ausência de repressão e censura e a liberdade nas atitudes críticas e eróticas dão um tom sodomitiano à festa. Mas em que consiste o sucesso do carnaval? Porque há tanto interesse por parte do Estado e da mídia em promovê-lo?
  Em primeiro lugar, vemos que a participação popular em massa durante os festejos garante a todos os Estados e em todas regiões do Brasil um crescimento econômico por meio do turismo e das centenas de atividades comerciais diretas e indiretas que se movimenta neste período. A “indústria do carnaval” dá muito lucro. Portanto, suas desastrosas conseqüências na vida de tantas famílias devem ser encaradas como fatalidade. O “circo e a alegria” nos dias de momo não podem parar. Afinal, fomos colonizados em meio a um baixo padrão moral, onde desde cedo a libertinagem sexual foi a marca registrada que fez das índias e escravas mães de uma nação órfã de pudor e honestidade.
  Em 1844, Karl Marx iniciou severa crítica à religião afirmando ser esta uma estrutura alienante produzida por uma consciência errada de mundo. Segundo ele, a religião oferece apenas a libertação imaginária e ilusória do homem. Somente a práxis revolucionária seria capaz de emancipar radicalmente o proletariado industrial, dispensando a “hipnose e o consolo” de uma falsa superação da miséria que destrói a força de revolta do povo contra o Estado. A religião para Marx era o ópio do povo, a droga que alucina o senso crítico das massas.
  Vejo, porém, uma segunda razão para o carnaval ser sucesso garantido: é o poder de seduzir e drogar as pessoas em torno apenas de si. O carnaval torna-se ópio porque chega a tirar do homem o senso de ridículo e a possibilidade de uma reflexão sobre seus gestos e atitudes para consigo e com os outros. É ópio porque funciona como uma espécie de anestésico, onde a opinião pública ficará temporariamente em êxtase profundo diante do cenário político e econômico do País. Quando a ressaca junina terminar, começará a Copa Mundial de Futebol, outro mecanismo para dopar o brasileiro, que ainda não se deu conta de que este ano elegerá seu representante maior, que deverá ser alguém que ame samba e futebol.

 

 

Da manjedoura ao calvário

Pr. Elvis Kleiber

  O nascimento de Jesus é diferente de todos os da raça humana. Ninguém sabe em que família nasceria, em qual país, qual seria a árvore genealógica, com Jesus foi tudo diferente. O evangelho de Lucas registra o nascimento de Jesus do ponto de vista da revelação angelical a Maria: “No sexto mês, foi o anjo Gabriel enviado, da parte de Deus, para uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com certo homem da casa de Davi, cujo nome era José; a virgem chamava-se Maria”. Lc. 1:26, 27. Ao passo que Mateus dá ênfase à revelação dada a José: “Mas José, seu esposo, sendo justo e não a querendo infamar (ou denunciar publicamente), resolveu deixá-la secretamente. Enquanto ponderava nestas coisas, eis que lhe apareceu, em sonho, um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua mulher, porque o que nela foi gerado é do Espírito Santo”. Mt. 1:19, 20.
  Alguns aspectos importantes no nascimento de Jesus são descritos no texto de Mt. 1:16-21. Seus pais foram instrumentos para o cumprimento da promessa divina. Vs. 16-18. Não apenas por serem pais de Jesus, mas por terem sido escolhidos para esse fim. Note que a palavra gerou é usada no caso de todos os nomes até chegar José. Aí a declaração bíblica muda. Não está escrito que José gerou a Jesus, mas, sim, que ele é o marido de Maria, “da qual nasceu Jesus”. Vs. 16. Isto nos mostra que, embora seu nascimento seja pelo Espírito Santo, José era de linhagem davídica e isto era o cumprimento de mais uma promessa que dizia que o messias seria um descendente da família de Davi: “Quando teus dias forem completos, e vieres a dormir com os teus pais, então, farei levantar depois de ti a tua semente, que procederá de ti, e estabelecerei o meu reino. Esta edificará uma casa ao meu nome, e confirmarei o trono de seu reino para sempre.” II Sm. 7:12, 13. A salvação da humanidade dependia do nascimento virginal Vs. 19,20.
  A vinda de Jesus ao mundo necessariamente deveria se dar através de uma virgem, conforme foi profetizado 700 anos antes de seu nascimento pelo profeta Isaías. “Portanto, o mesmo Senhor vos dará um sinal: eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e será seu nome Emanuel”. Is. 7:14. É importante compreendermos o que levou José a pensar em fugir. Ele estava noivo de Maria, o compromisso do matrimônio se constituía em uma obrigação legal e não podia romper-se sem o divórcio formal. Ao saber de sua gravidez, ele lembrou que a lei mosaica determinava que, se uma moça virgem desposada viesse a adulterar, deveriam ambos ser mortos, porém ele fugindo, daria a entender que o filho era seu e livraria Maria de tal castigo. O texto ainda afirma que o nascimento de Jesus representa a libertação do pecado da humanidade. Vs. 21. O anjo diz que Jesus salvaria o povo de seus pecados, isto leva-nos inequivocamente ao real sentido do Natal, que se traduz na vinda do Messias para desfazer a ação do pecado na raça humana por meio de seu sacrifício. Mas será que há lugar para reconhecimento e confissão de pecados no Natal que comemoramos? Ou estamos tão envolvidos com as festas, as confraternizações, os presentes, a ceia que nos esquecemos disto? Ter um Natal feliz é entender e viver o seu real sentido, não basta todo sentimento fraterno tão comum nesta época do ano se não contemplarmos o calvário que sucedeu a manjedoura. Que durante todo o ano que se aproxima tenhamos sempre um Natal.

 

 

A farda e o crime

Pr. Elvis Kleiber
  
Nosso Brasil anda carente de instituições que dignifiquem a sociedade e faça cumprir a lei, a ordem e o desenvolvimento da cidadania. Precisamos de reformas tributárias que não impeçam o crescimento econômico, causando desemprego e recessão. Precisamos de uma política social séria quanto à fome e à pobreza e que invista em educação para que possamos colher dignidade e trabalho para milhões de brasileiros. Infelizmente, em ano de eleições presidenciais, também será ano de copa mundial de futebol, uma espécie de ópio para desviar a atenção de nosso povo diante das antigas promessas canalhas de campanha. Li recentemente um anúncio publicitário de uma conhecida revista que dizia: “Se Deus não é brasileiro está perdendo um excelente eleitorado...”. Pensei comigo mesmo: será que nossa história de democracia e eleições presidenciais diretas não prova que há muita coisa que precisamos aprender? Em 2002 teremos outra chance...
  O crime e a corrupção estão em todos segmentos da sociedade e quando o assunto é segurança pública, temos a impressão que o pior ainda está por vir. As forças policiais sempre representaram um importante segmento de resgate e manutenção de valores éticos e morais oferecendo ajuda e segurança à população. Baseadas na hierarquia e disciplina nunca estarão acima do bem-estar da população, pois uma sociedade é composta por indivíduos, mas só será realmente ordenada se for regida por princípios. Os primeiros são mortais, os últimos eternos. Não se admite que por trás de uma capa de justiça e lei haja tanta conivência e participação com o crime. É lamentável esse envolvimento por parte de policiais, principalmente porque no dia-a-dia deparamos com situações que nos fazem pensar duas vezes antes de pedir auxílio policial ou passar por uma blitz. Mas o que estará por trás disso? Oro para que Deus nos proteja em tempos tão difíceis, pois se por um lado sabemos da falta de preparo dos policiais e dos baixos salários, por outro, o dinheiro e o poder corrompem tantas instituições sociais, políticas e religiosas.
  João Batista certa vez advertiu alguns soldados dizendo: “A ninguém maltrateis, não deis denúncia falsa e contentai-vos com o vosso soldo” (Lc. 3:14). Havia preocupação quanto à corrupção e suborno entre os militares. A bíblia condena o apego ao dinheiro e adverte que: “O amor ao dinheiro é a raiz de todos os males; e alguns nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores” (I Tm. 6:10), nossa felicidade e confiança não devem estar nos bens que possuímos: “Quem confia nas suas riquezas cairá, mas os justos reverdecerão como a folhagem” (Pv. 11:28). O serviço de capelania militar é fundamental para a reflexão destas e outras verdades inerentes à corporação. Usar uma farda é representar oficialmente uma instituição e ter autoridade delegada pelas diversas patentes, da mesma forma a fé é a indumentária da alma. Quanto mais expressiva e visível ela for, mais será a integridade de quem a possui.

 

 

Visão do alto

Pr. Elvis Kleiber


  Quando viajei pela primeira vez de avião, eu era militar da Força Aérea Brasileira e servia na base aérea de Recife. Nunca esquecerei aquele dia e a deslumbrante paisagem que meus olhos podiam alcançar daquela altura. Aprendi que quanto maior o sonho, necessitamos de mais determinação e coragem para realizá-lo. Como fruto daquela primeira experiência, até hoje sonho com a beleza do céu.
  Há sete anos, Deus realizou um milagre na vida de meu filho portador de glaucoma congênito. Hoje, esta experiência me faz pregar com mais veemência que o poder de Deus é ilimitado e que precisamos obter a certeza das coisas que parecem impossíveis, “pois não existe impossibilidade para Deus”. O dia 13 de dezembro é dedicado ao deficiente visual, desejo que minha lembrança não soe como homenagem ou sirva tão-somente de eco para a voz de tantos que se sentem excluídos e discriminados pela sociedade. A palavra dignidade traduz meu sentimento para com aqueles que possuem alguma necessidade especial e esperam ser tratados não com comiseração ou piedade, mas com justiça e humanidade.
  O Livro de Atos dos Apóstolos registra no capítulo nove a conversão de São Paulo ao cristianismo. Conhecido inicialmente como Saulo, ele era um judeu perseguidor dos cristãos e, no caminho da cidade de Damasco, perdeu a visão depois de ter um encontro com Jesus (At.9:4-9). O que mais me maravilha neste episódio é perceber que o apóstolo estava sem enxergar, maIs recebeu a visão do alto: “Então o Senhor ordenou: - Ananias, vai à rua chamada Direita, e, na casa de Judas, procura por Saulo, apelidado de Tarso, pois ele está orando e viu entrar um homem, e este impondo-lhe as mãos, o recuperou a vista” (At.9:11,12). O texto diz que Paulo teve uma visão de que um homem iria orar e ele ficaria curado. Que visão maravilhosa! Quão tamanha fé deste “deficiente visual” que enxergava o agir sobrenatural de Deus em sua vida. O segredo desta visão é um coração contrito e quebrantado diante do Senhor, o texto diz que Paulo, embora incapacitado de enxergar, falava com Deus e clamava por ajuda, por isso Deus o curou da forma como ele havia revelado naquela visão. Creia que Deus quer te dar a visão de coisas eternas e que jamais será ofuscada diante de seus olhos. Quantas pessoas vivem em escuras trevas pela ausência de paz, de felicidade, de amor e de salvação? Enxergam apenas o tempo presente, mas não possuem a visão do alto.

 

 

Desequilíbrio e extinção

Pr. Elvis Kleiber

  Em defesa do meio ambiente, ecologistas realizam diversas campanhas para conscientizar o homem de sua responsabilidade para com a natureza, diversas instituições e ONGs (organizações não-governamentais) são responsáveis pela preservação de espécies em extinção como, por exemplo, o projeto Tamar que cuida das tartarugas marinhas. Muitas atrocidades são cometidas contra a fauna e a flora em nosso país. A extração ilegal de madeira é o principal responsável pelo desmatamento das florestas brasileiras, ocasionando desequilíbrio ecológico, a luta dos rios contra a ação poluente do homem é uma batalha desigual sem podium e que só produz perdas coletivas. Nem as leis de proteção ao meio ambiente são suficientes para intimidar os predadores racionais das espécies, levando-os a uma atitude de preservação da natureza. É preciso responsabilidade individual, mudança interior e consciência da influência coletiva na preservação do ecossistema; reconhecemos que as matas precisam de proteção e os animais devem ser preservados para que as futuras gerações gozem do bem do planeta Terra.
   Tal qual o meio ambiente, a célula mater da sociedade agoniza por cuidado e proteção. Oito de dezembro será o Dia Nacional da Família, nada mais propício do que em vez de comemorarmos grandes realizações, reconhecermos o desequilíbrio e a extinção da família em nossa sociedade. Esta realidade é fruto do nascimento de uma geração que supervalorizou a liberdade sexual sem medir suas inevitáveis conseqüências e que ao desprezar valores morais, banalizou o casamento tornando-o um simples contrato. O modelo dos lares apresentado nas novelas reproduz muito bem o desequilíbrio da família e suas conseqüências sociais, influenciando diariamente a uma vida livre de tabus e preconceitos, em que o conceito primário de família, não é mais necessariamente a relação de um homem e uma mulher. A visão equivocada e distorcida da sexualidade humana vigente na sociedade admite todas práticas possíveis e imagináveis. “Nada é ilegal, imoral ou engorda...”;
  Na década de setenta, minha bisavó já dizia para mim: “Meu filho, estamos em uma época que se diz que nada faz mal...”. Hoje em dia se defende que fazer uma opção sexual faz bem, que o adultério tem seu lado positivo no relacionamento a dois, e que se não der certo separa. As estatísticas mostram que no Brasil a cada dez casamentos, sete acabam até o terceiro ano. É crescente o número de pessoas que optam em morar sozinhas e não constituírem uma família, outros, após um relacionamento mal-sucedido, passam a descrer que a família é uma instituição Divina. Lutaremos pelo equilíbrio e preservação da família ou vamos entregá-la à engenharia genética?

 

 

Duvidando do poder de Deus

Pr. Elvis Kleiber

  Em muitas situações da vida somos tentados a perdermos a esperança e a fé. Dificuldades financeiras, enfermidades, crise na família etc. Tudo isto pode nos tirar o ânimo e a alegria de viver. Tomé foi um homem que viveu um momento muito delicado em sua vida, quando se sentiu desiludido com a morte de Jesus. Lemos no evangelho de João 20.24-29 que Jesus, após a crucificação, aparece primeiro a Maria Madalena que corre e conta para os discípulos. Ainda no mesmo dia, Jesus aparece aos discípulos dizendo: “Paz seja convosco!”, e mostra suas marcas nas mãos e nas costas. Mas Tomé não estava presente quando Jesus apareceu aos discípulos pela primeira vez. Provavelmente ele se isolou dos demais porque essa era a sua atitude de resolver as coisas e ele devia ter tendência para a depressão. Muitos dizem que este século é o “século da depressão”. A depressão afeta especialmente a nossa capacidade para crer. Tomé foi afetado e não conseguiu aceitar a real presença de Jesus.
  Oito dias se passaram e Jesus novamente aparece a eles dizendo “Paz seja convosco!”. E em especial agora fala com Tomé, para que ele creia. Tomé disse que só creria se visse o sinal dos cravos e o lado. Então Jesus diz: “Tomé, põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos, chega também a tua mão e põe-na no meu lado” (v. 27). Tomé precisava ver o “sinal dos cravos” para crer. Muitos também ainda hoje precisam primeiro ver para depois crer. É um tipo de fé condicionada aos anseios da razão e precisão científica, que envolve o pensamento humano. Sempre que estivermos diante de situações aparentemente insolúveis, precisamos nos lembrar do exemplo de Tomé e recebermos a visita restauradora da fé que Jesus espera que tenhamos.
  “O sinal dos cravos” aponta para alguns aspectos da nossa confiança no poder de Deus, pois nele se revela a prova visível da vitória de Jesus sobre a morte (v.19-24), garantindo-nos também o mesmo poder por meio da ressurreição do corpo. A resposta de Jesus a Tomé satisfazendo-lhe a curiosidade não está na necessidade de ele ter de provar que era mesmo o messias, e sim de mostrar-nos quão superficial é a fé dos incrédulos. Jesus provou que nos ama com amor inabalável. Ele não se decepcionou com a atitude de Tomé e não o discriminou, antes o amou com amor restaurador. Hoje, Jesus não precisa provar mais nada quanto ao seu poder, embora a sociedade moderna, que também é incrédula, precise de sinais para crer. Precisamos ser abençoados com essa fé que é produzida em nós não pelo que vemos, mas “por ouvirmos a mensagem que vem por meio da pregação a respeito de Cristo” (Rm. 10.17). A “fé é a certeza de cousas que se esperam e a convicção de fatos que se não vêem” (Hb. 11.1). Nunca duvide do poder de Deus.

 

 

Personal fé: um exercício saudável

Pr. Elvis Kleiber

  É cada vez maior o número de pessoas que aderem a algum tipo de dieta, caminhada e exercícios diários. Praticar uma atividade física tornou-se regra básica para quem quer manter a saúde, as academias revelam uma tendência crescente nas pessoas que fazem do cuidado ao corpo quase um culto ou religião. Por outro lado, em tempos de crise, cuidar da saúde é muito mais que um ideal, é sinônimo de economia, pois medidas preventivas além de ser mais eficazes são bem mais baratas. Saúde física não é apenas ausência de enfermidades ou um corpo bem cuidado, é sobretudo um bem-estar emocional que refletirá no funcionamento de todo o organismo. Diz o ditado: “Mente sã, corpo sadio”. A mente exerce um papel sobremodo relevante em nosso organismo, por isto devemos dar especial atenção aos exercícios que podemos realizar em busca de saúde mental, pois até pouco tempo se ignorava a possibilidade de a fé exercer influência em nosso equilíbrio orgânico. Hoje, porém, a ciência explica como as emoções e a fé agem no corpo e nas doenças.
  Já em 1975, o pesquisador Robert Ader provou que o sistema imunológico é tanto “ensinável” quanto “manipulável”, com isso ele descobriu que, enviando reflexos ao nosso cérebro, alteravam-se os mecanismos de defesa do corpo. Hoje, a ciência explica que substâncias químicas produzidas pelos neurônios, chamadas de neuropeptídeos, fortalecem o sistema imunológico. Muitas escolas médicas americanas estudam o papel terapêutico da fé através das orações concluindo que o doente que crê tem mais chance de ser curado, e aponta para os resultados benéficos sobre a saúde. Mas, afinal, o que é fé? como podemos exercitá-la? quais os resultados para quem a possui? São algumas das questões que gostaria de tratar.
  A Bíblia afirma que fé é: “a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem” Hb. 11:1, esta certeza não brota unicamente do coração humano a menos que Deus manifeste no homem tal sentimento possibilitando-o “...da fraqueza tirar força...” Hb.11:34, a fé é um dom de Deus concedido ao homem. Acerca disto o apóstolo São Paulo escreveu que a validade da fé é a intensidade do amor que o acompanha. I Cor. 13:2, a fé deve ser exercida por meio da oração: “e tudo quanto pedirdes em oração, crendo, recebereis”. Mt.21:22, existe uma ação terapêutica quando conversamos com Deus, ou seja, quando oramos. Pois, tão logo que fazemos isto, sentimentos de vazio e solidão dão lugar a uma presença invisível mas real de alguém que confidenciamos nossos temores, angústias e esperanças. Como resultado, passamos a viver na perspectiva de uma mente transformada que vê na fé em Cristo Jesus o único meio de se obter cura espiritual e saúde física e mental. Já malhou sua fé hoje ?

 

 

O dia que esqueceremos da morte

Pr. Elvis Kleiber

  Temos a eternidade em nossos corações. O desejo de viver, de reproduzir, de perpetuar é uma das provas de que fomos criados à imagem e semelhança de um Deus transcendente e que não fez da morte um destino em si mesmo para a humanidade. Quando ela bate em nossa porta, traz um sentimento de vazio, de saudade, de impotência. Escrevo estas linhas com o coração enlutado, pois durante esta semana ela nos visitou levando meu sogro. Contudo, só por meio dela é que conheceremos o caminho com destino ao verdadeiro sentido da vida. Quando refletimos sobre a morte na história da humanidade, percebemos que a ela é inevitável, é uma realidade que nos acompanha tão de perto quanto a própria vida. Ela também é imprevisível. Não podemos prever quando e nem a quem chegará, ela não escolhe idade, religião, cor, classe social e alcança a todos, indistintamente. A morte também é inadiável. Quando chega seu dia, temos que nos submeter a sua nefasta visita, sem podermos negociar para uma outra data. Mas quando será que estaremos livres dela? Quando não mais nos lembraremos da dor e da saudade que ela nos faz sentir?
  Sei que amanhã muitas pessoas visitarão o túmulo de alguém muito amado, pois a morte tem até data para lembrar-nos de suas vítimas. Quero, porém, afirmar que haverá um dia que ela não mais terá domínio sobre os homens. O livro do Apocalipse (21:4) diz: “e lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte não mais existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram”. Aqueles que estarão ao lado de Deus nos céus estarão livres da morte e de todos os outros sofrimentos. Isto não é o Evangelho que promete ausência de sofrimento no tempo presente, mas considera o caráter provisório dos efeitos da morte em nós. Jesus ao visitar uma família enlutada afirmou: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo o que vive e crê em mim não morrerá eternamente” (Jo.11:25,26). Ou seja: através da ressurreição de nossos corpos não sentiremos a dor e a saudade, pois não haverá mais morte para limitar nossa existência.
  Há uma esperança de reconquistarmos a eternidade planejada por Deus para nós. Não uma eternidade marcada por sucessivas passagens por este mundo, não uma que, em vez de conforto e esperança, produza desespero, incerteza e lembranças cativas de pessoas que amamos, mas uma eternidade que seja na gloriosa presença de Deus e que nos restitua sua idêntica imagem e semelhança. Essa conquista está em Cristo Jesus, só ele é capaz de nos fazer superar a lembrança da morte por meio da esperança na vida eterna. Pense nisso e esqueça dos efeitos da morte, lembrando que ela um dia terá o seu fim.

 

 

Comunhão: lembrança diária

Pr. Elvis Kleiber

 Você já notou como objetivos comuns conseguem facilitar nossa convivência com pessoas diferentes? Tenho sido abençoado por Deus, ao sentir que por meio de sua Igreja consigo amar pessoas tão diferentes de mim e que, por pensarem diferente, sempre acabo aprendendo algo novo sobre a difícil tarefa de me relacionar com pessoas. O evangelho de Lucas 22:7-12 registra os preparativos para a refeição pascal, em que Jesus delega a Pedro e João a responsabilidade de cuidar de todos os detalhes. Indagado acerca do local a ser servida a páscoa, Jesus manda os discípulos seguirem um homem na entrada da cidade, onde sua única identificação é um cântaro de água que, supostamente, estaria conduzindo. Eles deveriam obter a resposta quanto ao local, por meio do dono da casa em que entrasse esse homem.
  Conheço muitos irmãos que se estivessem no lugar dos discípulos, criticariam Jesus pela falta de clareza e objetividade na sua resposta. Outros, ainda, se sentiriam desmotivados em participar de uma “busca incerta” e insistiriam em saber detalhes desse “amigo desconhecido”. É um desafio obedecê-lo, sem questionar a clareza, o sentido e a lógica de suas palavras, principalmente quando estamos “responsáveis pelos preparativos”. O texto termina dizendo: “tudo encontraram como Jesus lhes dissera”. A ação de Deus não se estabelece dentro da dedução racional do homem. Habitualmente, eram as mulheres que conduziam os cântaros de água e não os homens. Um outro aspecto curioso é o fato de o dono da casa ceder seus aposentos e nem por isso se achar no direito de participar da ceia. Precisamos aprender que, se estamos fazendo algo para o mestre, é porque ele nos comprou para isto, e não há em nós mérito que nos credencie o direito de participação em suas bodas, em seu reino. É tudo pela graça. E, finalmente, aprendemos que sua palavra se cumpriu para que Ele fosse glorificado. Ou seja, celebramos a páscoa para não nos esquecermos dEle! É Ele que deve ser lembrado! É sua voz que deve ser ouvida e obedecida, esse é o objetivo maior de nossa comunhão!
  Enquanto o mundo grita por paz, precisamos manter a lembrança do único que pode promovê-la, pois ele mesmo disse: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou...” Seu exemplo de entrega aos discípulos foi total, e mesmo sendo traído por um deles não perdeu o sentimento pacífico. A comunhão se expressa na realização de querer afirmar outros, em vez de se sentir afirmado, só então estaremos tão unidos que poderemos ter objetivos comuns e uma lembrança diária do preço que foi pago na cruz do calvário para que a humanidade se reconciliasse com Deus. “Glória Deus nas alturas e Paz na Terra aos homens de boa vontade...”.

 

 

Um médico especial

Pr. Elvis Kleiber

  Durante este último mês, minha família viveu a expectativa de esperar um diagnóstico sobre uma enfermidade que acometeu meu sogro. Consultas, remédios, exames e, enfim, a conclusão de um especialista. Todos nós depositamos uma enorme confiança no profissionalismo e competência dos médicos, isso é decisivo no sucesso de um tratamento. Quero dedicar essa reflexão a toda a classe médica baiana em lembrança ao seu dia, embora que, em nosso país principalmente em se tratando de saúde pública, esse reconhecimento não se traduz em salários justos e condições dignas de se exercer a medicina. Mesmo em face desta realidade, continuo acreditando no amor e na vocação de muitos médicos, que os distinguem como pessoas especiais.
  Na minha infância, convivi com muitos médicos, desde cedo tive problemas respiratórios e uma forte alergia. Depois que meu filho nasceu, essa relação continuou bastante estreita por meio de um glaucoma congênito. São tantos nomes que marcaram minha vida e meu coração que certamente ao tentar mencioná-los cometeria a injustiça de não me lembrar de alguns. Hoje, após seis anos de sacerdócio em que por várias vezes tenho que orar por pessoas enfermas, consigo sentir um pouco da carga de tensão e esperança que os médicos carregam de seus pacientes. Quem são os homens e mulheres que, agraciados por Deus, receberam a difícil responsabilidade de cuidar de doentes? O que encontramos por trás daqueles que recebem o título de doutor?
  A principal missão de um médico é lutar pela vida e pelo bem do ser humano. Sua vida se reveste de grande humanidade, à medida que convive com o sofrimento, a dor, a esperança e os sonhos de seus pacientes. Nada é mais doloroso do que, esgotados todos os recursos, ser vencido pela morte. Os médicos são pessoas que convivem com um constante sentimento de perda que precisa ser diariamente superado pela dependência do Médico Supremo. Outro aspecto a ser lembrado é que eles também adoecem e precisam de médicos. O problema é quando ignoram esta necessidade e fazem tudo que proíbem aos pacientes. Já li uma pesquisa em que dizia que os médicos se constituem os mais difíceis pacientes e que um número alarmante deles é dependente de algum tipo de droga.
  A Bíblia fala de São Lucas, um discípulo de Cristo que era doutor. Contudo, o mais brilhante médico mencionado na Bíblia era filho de um carpinteiro; Ele continua cuidando de médicos, como cuidou de São Lucas, e quer cuidar de tua alma também. Médicos são pessoas usadas pelo Médico Supremo, pelo Médico dos Médicos. Eles são instrumentos valiosos nas mãos de Jesus. Que o Médico Especial vos abençoe neste dia!

 

 

Herdeiros dos céus

Pr. Elvis Kleiber

  Aproxima-se o dia das crianças e, como de costume, esse dia é sinal de lazer, presentes, guloseimas e muita diversão. Lembro que, quando criança, minha expectativa era grande pela chegada deste dia. Sabia que receberia alguma lembrança juntamente com minha irmã. No entanto, sempre me foi ensinado que nosso maior presente era o nascimento de Jesus para toda a humanidade. O tempo passou e, das lembranças deste dia, ficou um legado espiritual que, muito mais que presentes, tenho passado para o meu filho.
  A vida de Jesus nos faz compreender o importante significado do valor das crianças, a partir de seu nascimento. Ao contrário do que esperavam os judeus, um libertador político e social, Jesus, nasce em uma humilde manjedoura em Belém dentro de um estábulo, corporificado na figura de um bebê. Apesar de sua pobreza, fora recebido com presentes pelos reis magos do Oriente que, aos seus pés, lhe adoraram e ofereceram: ouro, incenso e mirra. Isto nos ensina que havia uma majestade no menino Jesus, que depois ele expressa a todas as demais crianças: “Deixai vir a mim os pequeninos”, disse Jesus. Seu desejo é que as crianças recebam o seu toque e sintam seu afago, nada é mais importante na infância do que conhecer Jesus, seu carinho e sua humanidade. Só assim terão uma visão saudável do Pai do Céu, em meio a tantas atrocidades cometidas contra elas aqui na Terra. A violência, as ruas, as drogas, os pais desajustados, a exploração, o abuso sexual etc. são marcas tão presentes na infância brasileira que não dá para esquecer neste dia.
  É neste contexto que gosto de lembrar o final do versículo já citado: “... Através delas (crianças) virá o reino dos céus” ou seja: as crianças possuem características imprescindíveis para quem quer ser herdeiro dos céus. Sua inocência, a ausência de vaidade e orgulho, o desapego aos bens materiais, a facilidade para perdoar, a ingenuidade etc. são importantes aspectos da infância que Deus deseja ver em nós. Que neste dia estejamos oferecendo muito mais que presentes aos nossos filhos. Ofereçamos Jesus através de sua palavra, seu exemplo e sua infância. Certamente, fazendo assim, estaremos deixando uma herança eterna para eles, o Céu.

 

 

Liberdade duradoura ou vingança infinita?

Pr. Elvis Kleiber

  O mundo vive dias de expectativa quanto a uma guerra. Os atentados terroristas em Nova Iorque e Washington (EUA) desencadearam uma mistura de sentimentos: vulnerabilidade com o desejo de se fazer justiça com as próprias mãos. Para uma nação que se acostumou a ter soluções para o mundo, inclusive com tradição em intervir nos conflitos armados no Oriente Médio, não esboçar nenhuma reação – mesmo que suas conseqüências sejam também extremistas quanto à ação de seus inimigos – seria um ato de tamanha humildade, compaixão e misericórdia que certamente não combina com a política americana.
  Logo após o episódio, muitos chefes de Estado repudiaram o terrorismo e manifestaram total apoio ao presidente George W. Bush, que em seguida declarou guerra contra o terrorismo, por meio de uma megaoperação inicialmente denominada “Justiça Infinita” (agora chamada de “Liberdade Duradoura”).
  O que hoje se estampa em todas manchetes é o poderio bélico de uma nação que buscará em ações militares e políticas uma vigança contra um alvo desconhecido. Por isto, não farão diferença entre culpados e inocentes. Seria isto mesmo um ato de justiça? Existiria justiça infinita, mesmo que seja contra terroristas? Não há uma diferença entre justiça e vingança? Chegou a hora de repensarmos a conivência mundial nas ações militares americanas à luz da liberdade divina.
  A História nos mostra que o serviço de inteligência dos EUA investiu no treinamento de Osama Bin Laden, durante a ocupação soviética no Afeganistão, por meio de sofisticadas técnicas terroristas. Se Bin Laden foi mesmo o mentor dos atentados, o tempo se encarregou de aprimorar as táticas aprendidas com os próprios americanos, que agora colhem as sementes do terror que plantaram no passado.
  O desejo de resposta americano foi tão precipitado que, recentemente, o nome da “operação de guerra” foi mudado para “Liberdade Duradoura”. O que não mudou foi o sentimento de vingança que está por trás de seus intentos. O mais lamentável é ver que tão insano quanto a ação dos terroristas é a onda de violência e discriminação contra muçulmanos, que romperam as fronteiras estadunidenses e se espalharam pelo resto do mundo, além de submeter afegãos inocentes, que não pertencem ao Talibã, à barbárie de uma guerra sem vencedores, juntamente com centenas e centenas de soldados dos EUA, que em nome do orgulho nacional deixarão seus familiares vivendo o terror da expectativa de que, no final dos combates, possam voltar com vida.
  Todo ato de justiça precisa ser precedido de provas incontestáveis, além do direito de defesa por parte do acusado. Contudo, como já estamos acostumados no Brasil, nem sempre os passos se dão nesta ordem. Osama Bin Laden e todos os suspeitos, até que se prove ao contrário, “são responsáveis”. Por causa disto, muitos inocentes, muçulmanos ou não, serão acusados de ter ligação com o terrorismo.
  Outro fato digno de citação é o primeiro nome dado à “operação de guerra”, pois nem o inferno poderia ser considerado como a justiça infinita, quando consideramos o sofrimento como um castigo e não como ato de justiça em si. A Bíblia nos ensina: “A Deus pertence a vingança”. Só Ele poderá exercer a justiça perfeita e oferecer ao mundo a liberdade duradoura.
 

 

Leis temporais e princípios eternos

Pr. Elvis Kleiber

  A soberania maior de um povo se baseia na liberdade de instituir suas próprias leis, e do fazê-las cumprir dependerá sua própria integridade. Na tentativa de contextualizar as prescrições legais em decorrência das mudanças nas relações e hábitos sociais, surge diante de nós um conjunto de reformulações nas leis civis que deverão ser aprovadas no Congresso Nacional.
  O Código Civil Brasileiro em vigor foi concluído em 1916 e estava pra lá de obsoleto, no entanto, tal processo de atualização iniciado em 1975 por uma comissão de juristas, liderada pelo advogado Miguel Reale, levou 26 anos para concluir todo o trabalho. O resultado é que muitos aspectos que envolvem nosso dia-a-dia, como por exemplo o comércio eletrônico via internet e a normatização dos serviços oferecidos por meio dele, não estão previstos no novo código civil, que já requer atualizações. Por outro lado, precisamos considerar que muitas mudanças reconhecem a funcionalidade do papel da mulher, em uma sociedade que não é mais absolutamente patriarcal. Por isso mesmo, o código torna os direitos civis igualitários dando mais autonomia jurídica às mulheres. Mas até quando se manterá atual para as futuras gerações? Existe um dinamismo nos hábitos da sociedade que requer constantes reflexões à luz da cosmovisão contemporânea.
  Os costumes e leis de um povo manifestam sua identidade cultural e suas tradições baseadas em seus relacionamentos. Convivemos com uma incontestável mudança na maneira de pensar do homem de nossa geração e dos fenômenos sociais que acontecem decorrentes do acesso das pessoas ao avanço da ciência e da tecnologia, bem como pela avassaladora explosão urbana que tão bem caracteriza a chamada pós-modernidade. Portanto, embora as leis sejam temporais e mutáveis, elas precisam obedecer a princípios eternos e inegociáveis estabelecidos por Deus.
  Quando Moisés recebeu os Dez Mandamentos (Ex.20), havia muito mais que a idéia de normatizar um código de regras e leis para o povo, Deus queria fazer uma aliança, um pacto de ética que conduzisse o homem a um maior relacionamento consigo mesmo e com seus semelhantes. Os quatro primeiros mandamentos (EX.20:1-4) tratam do relacionamento comprometido do homem para com Deus, os outros mandamentos vão relacionar a conduta do homem para com seus semelhantes abordando princípios que estão baseados em nossas leis, como por exemplo o valor sagrado da vida humana, que revela a proibição Divina ao homicídio, e o respeito à integridade física alheia. Infelizmente, tal princípio é diariamente ultrajado em todo o mundo, quer seja por meio da violência ideológica do sistema capitalista ou das atrocidades da violência, guerras e atos de terror, como o que foram vítimas os EUA, que nos leva a crer que a contextualização nas leis não nos garante seu cumprimento.

 

 

O seqüestro da independência

Pr. Elvis Kleiber

  Aumenta em todo o País a prática do seqüestro. Esse crime hediondo tem tomado grandes proporções em nossa sociedade, por meio de várias modalidades na ação dos bandidos. Há seqüestro muito bem planejado, cuja riqueza dos detalhes surpreende os policiais. Mas há também o seqüestro relâmpago, no qual a vítima pode prover seu próprio resgate ou o auto-seqüestro, quando por meio de uma simulação a suposta vítima tenta extorquir o “resgate” de alguém. Parece que aos poucos, expomos a realidade de um País que não é mais conhecido apenas como “terra do samba e do futebol”, mas também da corrupção, da violência e do medo.
  Ao longo desses 500 anos, nossa liberdade, justiça e cidadania tornaram-se refém de uma estrutura econômica completamente dependente e encarcerada aos interesses políticos internacionais que regem o mundo. Para descrever qual a implicação dessa realidade na vida social do País, basta associar harmoniosamente as três modalidades de seqüestro citadas e teremos um perfil realista de vários crimes envolvendo enxurradas de dinheiro público, resultantes de desvio ou sonegação fiscal, que se traduz em má distribuição de renda, recessão e miséria. O grito nas margens do Rio Ipiranga, símbolo de um desejo de liberdade e independência, nunca refletiu um País ausente de mecanismos dominantes. O que então comemorar em 7 de setembro?
  Na história da criação, a Bíblia descreve um episódio conhecido como “O pecado original”, o qual simboliza o fim do estado de perfeição e liberdade do homem, por meio da desobediência à ordem Divina (Gen.3:1...). Gosto de fazer uma ilustração desse episódio, comparando-o a um seqüestro. Todas as coisas criadas no Jardim do Éden foram seqüestradas por Satanás em figura de serpente. Daquele momento em diante, o homem passou a ser refém do pecado e de tantos sentimentos que hoje alimentam o seu egoísmo desenfreado. Mas Deus nos ama de maneira tão inequívoca, que pagou o resgate por intermédio do sacrifício de Jesus na cruz do calvário, nos dando completa libertação.   “Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu seu único filho para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo. 3:16).
    Deveríamos estar livres para dizer não a tudo que nos faça coniventes e escravos da injustiça social. Mas muitos ainda mantêm tanta simpatia pelas benesses oferecidas pelo “seqüestrador de nossas almas”, que mesmo depois de efetuado o resgate mencionado, além de não saírem da sua companhia, findam aliando-se a ele e a seus projetos. Sonhamos com uma independência holística do homem, quando pudermos ver o cumprimento daquilo que o apóstolo João escreveu em seu evangelho: “Se, pois, o filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (Jo. 8:36). Creio que, enquanto isso não acontece, devemos agradecer a Deus pela ausência de terremotos, furacões, pela tolerância racial e religiosa, pela riqueza das expressões culturais de nosso povo, a luta, a garra, a fé e a esperança pela independência.

 

 

A divindade da mídia eletrônica

Pr. Elvis Kleiber

  A pós-modernidade e o avanço tecnológico tornaram a Terra um planeta pequeno, bem-informado e munido de um sistema de comunicação tão eficaz e poderoso, que é capaz de unir pessoas de todo mundo por meio de sofisticados satélites. A televisão, o rádio, o fax, o celular e o correio eletrônico são instrumentos criados pelos homens, interferindo e influenciando radicalmente no comportamento. A 24ª Conferência Geral de População, realizada no Centro de Convenções na semana passada, reuniu profissionais das ciências sociais de vários países e abordou entre outros temas “Os meios de comunicação de massa e o comportamento demográfico”. Na visão de Esther Hamburguer, antropóloga e professora do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão da Universidade de São Paulo (USP), a telenovela no Brasil influenciou a mulher quanto à redução do número de seus filhos. Analisando tal conclusão mais a fundo, veremos que em especial a televisão no Brasil contribui não apenas para a diminuição da natalidade, mas no aumento da violência, da prostituição, dos divórcios, dos dependentes de álcool etc. Os meios de comunicação influenciam nosso dia-a-dia e ensinam comportamentos e crenças tão poderosamente como qualquer religião.
  Existem características na mídia eletrônica que se assemelham a uma divindade e lhe conferem aparentes atributos que só Deus possui. A onipresença, por exemplo, é a capacidade de Deus poder estar em todos os lugares e ao mesmo tempo. Ela consegue, embora que não de forma absoluta, esse objetivo estando presente em toda parte, levando informação e imagens de situações e lugares diferentes a tantas pessoas ao mesmo tempo. Suas ondas eletrônicas invadem a atmosfera em que vivemos. A mídia eletrônica também dissimula uma certa onisciência, pois, além de tornar públicas informações de fatos íntimos das pessoas, afirma saber constantemente do que necessitamos para sermos mais felizes através de seus apelos ao consumo e da indução de algum desejo ou necessidade. Outro fator digno de ser mencionado é o simbolismo que produz por meio de marcas e grifes, que, além de qualidade e confiabilidade, oferecem às pessoas, idéias poderosas de significado e objetivo à vida. Da mesma forma, as mais diferentes expressões de culto e divindade são percebidas pelas marcas, símbolos e sinais que se perpetuam ao longo da história.
  Mas todo esse poder da mídia eletrônica continua no anonimato diante do significado da identidade de Deus acerca de si mesmo. “Eu Sou”, esse foi o slogan que daria autoridade a Moisés para libertar o povo da escravidão do Egito, em nome do Único Deus (Ex. 3:14). Ele é o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim; ao contrário da mídia eletrônica, não foi criado, mas deu origem e sustenta todas as coisas (Jo. 1:3). Sua ética possui valor inestimável, pois não invade a mente humana de maneira abusiva e nunca produz diante de seus “telespectadores” propaganda espúria e enganosa, só ele nos conhece na vida real. Estando exposto às suas influências por meio da leitura da Bíblia, certamente seremos mais enriquecidos do que temos sido através da mídia eletrônica.

 

 

Religião e solidariedade

Pr. Elvis Kleiber
  
Este ano foi declarado pela ONU como “O Ano Internacional do Voluntário”. Em todo o mundo, cresce a iniciativa de vários mecanismos privados, que por meio de organizações não-governamentais (ONGs) arrebanham um número cada vez maior de pessoas que prestam algum serviço voluntário. Segundo reportagem especial sobre o assunto, publicada na “Folha de S. Paulo” em 1º de abril, nos últimos dois anos o número de voluntários no Brasil cresceu 42%, e muitos projetos comunitários já influenciam políticas públicas. Uma delas é a Pastoral da Criança, presente em 3.351 municípios, acompanhando cerca de 1,5 milhão de crianças.
  Na Bahia, a ONG destacada na referida reportagem é o Movimento de Organização Comunitária (MOC), fundado em 1967 e com sede no município de Feira de Santana, que se propõe a construir cisternas para armazenamento de águas das chuvas, além de incentivar a permanência das crianças na escola, tirando-as do trabalho no sisal. Esse contexto reflete a possibilidade que temos de nos envolvermos em uma ação concreta em favor do próximo, diante de um sistema de valores sociais cada vez mais individualista e insensível à dor e ao sofrimento humano.
  A solidariedade é uma das principais características do Evangelho que foi pregado por Cristo, e que se propõe a religar o homem a Deus. Fazer o bem não é o meio, mas conseqüência da ação de um dom chamado Graça, que significa “favor imerecido”. Jesus foi o mais brilhante voluntário que já pisou na Terra. Seu amor sacrificial nos ensina que “essa graça não vem de nós, mas é dom de Deus, e que a salvação não pode ser adquirida por meio de atos de solidariedade para que ninguém se orgulhe deles” (Ef. 2:8,9). Por isto, quando merecíamos a cruz, ele nos ofereceu perdão, morrendo voluntariamente em nosso lugar. Porém, aqueles que possuem o dom da Graça devem expressar de maneira visível atos de amor e solidariedade, como evidência de que já obtiveram um favor de que não eram merecedores.
  Há muitas definições de religião e de suas influências nos nossos dias. Talvez nenhuma traduza o explícito valor da solidariedade descrito por São Tiago em sua epístola no capítulo 1:27 “A religião pura e sem mácula, para com nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas sua tribulações e a si mesmo guardar-se incontaminado do mundo”. Precisamos receber o dom da Graça, que nos identifica com tais práticas. Esse é o princípio bíblico de mutualidade solidária. Enquanto a tradição judaica dizia “não faças aos outros o que não queres que te façam”, Jesus ensinou: “Tudo quanto quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles” (Mt. 7:12). Ser um voluntário enobrece e dignifica o homem, mas a motivação que o leva a isso deve ser: “O Amor a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo como a ti mesmo”.

 

 

Congregacionais: pioneirismo evangélico

Pr. Elvis Kleiber


  Diante da pluralidade de igrejas, do poder da mídia existente em templos famosos e entre muitos fiéis, artistas e políticos em constante evidência no cenário nacional, quase passamos desapercebidos quando o assunto é identificar e conhecer a origem dos evangélicos protestantes no Brasil. Contar essa história sem falar dos congregacionais é como discorrer sobre o Brasil sem mencionar a Bahia ou os índios. Haverá quem consiga falar de si sem conhecer seus patrícios? – alguns até se atrevem... O sociólogo Ricardo Mariano publicou sua tese de mestrado sobre o neopentecostalismo brasileiro e suas influências no surgimento de muitas igrejas a partir da década de 60, até as mais recentes.

   Essa obra é uma das mais valiosas pesquisas no campo histórico e sociológico sobre o surgimento de muitos grupos contemporâneos de cristãos. Contudo, para conhecermos os pioneiros dos evangélicos, teremos que ouvir sobre dois personagens principais: o médico e missionário escocês Dr. Robert Reid Kalley e sua esposa, a musicista e compositora Sara Poulton Kalley. Ambos implantaram, em 19 de agosto de 1855 na cidade de Petrópolis, no Rio de Janeiro, a primeira Igreja Evangélica em língua portuguesa, sendo os pioneiros na pregação do Evangelho em caráter permanente em nosso país. O Dr. Kalley era considerado em alta estima por todos, pela influência que exercia na busca de transformações sociais. Embora fosse médico do imperador D. Pedro II, não se negava a atender aqueles que, mesmo não tendo condições, buscavam seus cuidados.

    No período entre 1855 e 1866 publicou vários artigos no Correio Mercantil e no Jornal do Comércio do Rio de Janeiro. Seus artigos influenciaram importantes mudanças nas leis referentes à liberdade de culto e à separação entre Igreja e Estado. Entre elas destacamos: reconhecimento oficial do casamento de não-católicos, registro civil de seus filhos, óbitos registrados em cartórios e espaço em cemitérios para o sepultamento dos protestantes. Em 1861, um pequeno hinário chamado de “Música sacra” é publicado com 18 salmos e 32 hinos, metade dos cânticos dessa primeira edição foram escritos por Sara Kalley. Hoje, os “Salmos e hinos” servem a muitas igrejas que surgiram posteriormente.

 

 

Reconstruindo a imagem de pai

Pr. Elvis Kleiber
  
   Aproxima-se o domingo em que comemoramos o Dia dos Pais. Interesse comercial à parte, muitos filhos procuram lembrar do paizão nesta data. Alguns o fazem por tradição social ou familiar, outros por obrigação, como se tal lembrança amenizasse problemas e lembranças difíceis vividas no passado. E há ainda aqueles que não podem expressar qualquer gesto de afeição e carinho por causa da ausência, da distância ou da falta de um pai. Pessoalmente, durante muito tempo me identifiquei com o terceiro grupo.
  Creio, porém, que tal sentimento de gratidão à figura do pai é tão válido que Deus escreve aos filhos dizendo: “Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor, teu Deus, te dá” (Ex. 20:12). Nossos pais devem ser honrados e respeitados todos os dias de nossas vidas, pois eles possuem autoridade divina sobre nós.
  Talvez a essa altura você esteja pensando: “Ah! se você conhecesse meu pai não pensaria assim...” ou “Essa tal autoridade me deixou marcas profundas que carrego até os dias de hoje!”. É diante de possíveis pensamentos como estes que desejo encorajá-lo a reconstruir a imagem da figura de pai, sabendo que, se não superarmos tal sentimento, estaremos sujeitos a reproduzir em nossos filhos, conscientes ou não, as mesmas atitudes e erros de nossos pais, e que tanto nos fizeram sofrer no passado.
  O salmista afirma que Deus é o principal responsável pelo nosso nascimento. “Contudo, tu és quem me fez nascer; e me preservaste, estando eu ainda no seio de minha mãe” (Sl.22:9). Ele nos conhece de forma absoluta e deseja que sua paternidade espiritual seja relevante em nossas vidas. É neste sentido que precisamos reconstruir a imagem da figura do pai, não tomando como modelo o homem mortal, egoísta e pecador, mas o exemplo do pai Emanuel, que nos ensinou por meio da cruz que o caminho da cura, inclusive emocional, é a consciência da enfermidade e a busca do amor e perdão.
  Só assim descobrimos que nunca é tarde para corrigirmos a visão distorcida que temos de Deus como nosso Pai, pelo fato de atribuirmos a essa imagem atitudes humanas que nos feriram, e neste dia expressar aos nossos pais o caráter que revela que somos realmente filhos de Deus, e não apenas criaturas.

 

 

O dom profético da Igreja

Pr. Elvis Kleiber

   A palavra igreja vem do grego “eclésia”, que significa: assembléia ou ajuntamento dos santos. A Bíblia designa três nomes especiais para descrevê-la. O autor da Carta aos Hebreus (Cap. 12:22) diz que “a Igreja é a cidade do Deus vivo”, é a comunidade chamada por Deus e para Deus. O apóstolo Paulo afirma a Timóteo em sua primeira carta (Cap. 3:15) que, além de ser a casa de Deus, é “coluna e fundamento da verdade”. E por fim, escrevendo aos cristãos de Corinto, o mesmo apóstolo ensina em sua primeira carta (Cap. 3:16,17) que “somos o santuário de Deus” e em nós habita o seu Espírito. Mas que reflexo há em nossa sociedade de uma Igreja comprometida com a justiça e a verdade?
  A História da Igreja Cristã continua sendo escrita com suor, sangue e lágrimas. Muitos dos seus personagens pagaram o preço de proclamarem o Juízo Divino, em face da corrupção social, política e religiosa; e alguns o fizeram com a própria vida.
  O profeta Isaías, que possui um discurso voltado em torno do surgimento do Messias, não deixou de lado as questões que afligiam o povo de sua época. Profetizou contra as injustiças sociais dizendo: “As autoridades e governantes vos enganam e aos poucos destroem essa nação. As suas casas estão cheias de bens que roubaram dos pobres” (Is. 3:12-14) e “Ai de vocês que compram casas e mais casas, que se tornam donos de mais e mais terrenos! Daqui a pouco não haverá mais lugar para outros morarem, e vocês serão os únicos moradores do país” (Is. 5:8).
  O profeta João Batista, precursor de Jesus, estava tão comprometido com a verdade que foi preso por denunciar o tetrarca Herodes de possuir ilicitamente Herodias, mulher de seu irmão Felipe. Por testemunho profético acerca do Juízo de Deus, foi decapitado (Mt. 14:1-12).
  Na época da reforma protestante, Lutero acusou o clero com relação à venda das indulgências que sustentavam o luxo das igrejas banhadas a ouro e o interesse conivente do Estado nesse comércio, enquanto entre os fiéis havia tantos pobres e necessitados.
  Hoje em dia há um silêncio corporativo na Igreja, que impede que exerçamos influência diante de tanta impunidade vivida em nosso país. Cabe-nos não apenas a representação de uma bancada parlamentar, mas acima de tudo coragem e lealdade para tratar os interesses populares como prioridade diante dos interesses privados.
  Somos cidadãos de uma pátria superior, mas possuímos não só o dom profético no sentido preditivo como também a responsabilidade de denunciarmos as injustiças em contraste com a vontade de Deus para o governo desta nação.
  A Igreja do Senhor Jesus é munida de um dom do Espírito, aclamado pelo apóstolo Paulo em sua primeira Carta aos Coríntios como o “dom supremo”. O dom que não se alegra com a injustiça, mas que se regozija com a verdade, o dom que não nos permite estarmos tranqüilos e insensíveis enquanto a roça de centenas não lhes traz o pão, enquanto a palma for o principal prato do dia de dezenas, enquanto o amor estiver-se extinguindo no coração de tantos.
  Precisamos cumprir por meio desse dom a vocação de anunciarmos a verdade, aliando-nos aos menos favorecidos, e pregando as boas novas aos cativos pela ambição, aos coxos de discernimento e aos cegos de justiça.

 

 

Evangelho: loucura para os sábios

Pr. Elvis Kleiber

  No início da década de 60, certamente os cristãos reformados no Brasil eram conhecidos pelas coisas que não podiam fazer e pela ênfase que davam ao céu como morada eterna. Durante muitos anos perdurou a nítida idéia que eram pessoas alienadas e desprovidas de cultura secular. O tempo passou e vejo que a leitura que muitos fazem do evangelho e as críticas aos cristãos reformados não mudaram.
  Bom seria que – assim como ocorreu no Renascimento, quando, através do estudo da Bíblia nas línguas originais, se favoreceu o avanço do protestantismo – nos nossos dias houvesse uma cosmovisão ampla do Evangelho e da pluralidade de doutrinas e adeptos de seus ensinos. Talvez, assim, enxergássemos que os cristãos mudaram juntamente com o mundo. Mesmo que alguns tenham esquecido o céu e preguem bênçãos materiais na Terra, a premissa de que os cristãos reformados são uma ala de ignorantes é no mínimo não conhecer a História.
  Em seu livro “História do Pensamento Cristão”, Paul Tillich mostra que o passado carrega o presente em si, e que só se pode viver plenamente no presente estando aberto para o futuro, e em diálogo com o passado, interpretando seus momentos e compreendendo seus movimentos.
  Quando falamos de “crentes ou de Evangelho” sem aplicarmos essa propriedade à luz da História corremos o risco de cairmos no vazio de nossas argumentações. Por mais que façamos uma apologia de nossas ideologias e crenças, o povo baiano espera muito mais do que um discurso sobre Fé e Razão. Há uma enorme necessidade de ação concreta em favor daqueles que necessitam do Evangelho e das mudanças sociais que a prática dele pode desenvolver em nossa sociedade.
  Ao vermos hoje tantas pessoas dos mais diversos segmentos – na política, nos esportes, no meio artístico, no jornalismo e na literatura – abraçarem a Fé pregada nas Igrejas Católicas Apostólicas Reformadas, não podemos desprezar a realidade de formadores de opinião que hoje se constituem os evangélicos, tanto quanto os católicos e espíritas.
  Quantas celebridades e personagens ilustres cooperaram para o desenvolvimento e praticidade do Evangelho! Na Índia, por exemplo, sabemos que, mesmo não sendo nativa, a Madre Tereza de Calcutá seria digna de ser chamada Mãe de Calcutá, pelo exemplo de transformação social que pregou com a própria vida. Infelizmente, hoje em dia, para receber tal honra, às vezes, não há necessidade de tanta integridade.
  No Brasil, poucas pessoas conhecem a história de um médico escocês chamado Robert Reid Kalley, que teve como ilustre paciente o Imperador D. Pedro II. O Dr. Kalley e sua esposa, Sara Poulton Kalley, foram os primeiros missionários a pregarem o Evangelho Reformado no Brasil em língua portuguesa. Deixaram o Porto de Southampton, a bordo do navio “Great Western”, de nacionalidade britânica, em 9 de abril de 1855, aportando em Funchal na Ilha da Madeira, antes de chegarem ao Rio de Janeiro em 10 de maio do mesmo ano. Muitas foram as pessoas que, apesar de viverem na mais absoluta pobreza, eram atendidas pelo médico do Imperador. Kalley vivia o que pregava, e não fez de sua cultura uma barreira entre ele e os incautos. Deixou-nos um legado através da Igreja Congregacional no Brasil, a primeira Igreja Protestante brasileira.
  Há um sábio pensamento que diz: “Pessoas inteligentes falam sobre idéias. Pessoas comuns falam sobre coisas. Pessoas medíocres falam sobre pessoas”. Que não sejamos medíocres em nome da “sã” doutrina que defendemos. Pois a Bíblia ensina: “A loucura de Deus é mais sábia do que os homens, e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens” (I COR. 1:25).

 

 

Fé e Finanças

 

Pr. Elvis Kleiber

 

     Falar em dinheiro sempre foi tarefa complexa, tanto no linguajar dos economistas, quanto para os líderes religiosos que possuem a responsabilidade de instruírem as pessoas quanto a um assunto tão importante na vida de todos. O pior é que, muito do que vimos e ouvimos nos meios de comunicação em torno deste assunto, é semelhante a alguns conceitos sobre sexualidade transmitidos na adolescência, que além de irreais e descomprometidos com a moral e com a ética, passam a ser ensinados em tom de consultoria psicológica. Por esta mesma razão, no tocante aos Dízimos e ofertas, há tantos desvios nas relações entre o espiritual e o vil metal. Atrevo-me a escrever estas linhas, com o desejo de provocar uma reflexão para com aqueles que se tornaram céticos quanto ao assunto.

     O Título propositalmente já é de causar no mínimo desconfiança em quem acha que em geral, as Igrejas e principalmente seus líderes possuem o interesse maior em “arrancar” dinheiro dos fieis. Não Obstante a realidade dessa prática na História da Igreja cristã, não há de minha parte interesse de julgar aqueles que ainda hoje, se utilizam desse expediente para “pregar” as boas novas. Até porque, quando assim fazemos, além de corremos o risco de argumentarmos fatos que já são públicos e notórios para a sociedade, passamos a difundir atitudes que não glorificam a Deus. Deixo portanto, que a consciência de cada leitor consiga no mínimo aceitar a realidade de que mesmo sendo muito parecidos, Deus fará separação entre o joio e o trigo. Neste mês nossa Igreja desenvolve o tema: “Família Unida”. Contamos com uma programação voltada para o assunto e entre as abordagens para os casais, foi dada ênfase à questão de finanças no lar. Fomos abençoados por intermédio de uma palestra proferida pelo Reverendo Carlos Roberto, da Igreja Congregacional de Jardim Cruzeiro em Feira de Santana.

    De fato a bíblia nos ensina muito sobre finanças. Questões relacionadas a impostos, avalistas, investimentos, salário, avareza, riqueza, dívidas, pobreza, administração financeira, etc... Tudo isso se apresenta por meio de vários provérbios, parábolas e relatos, onde pessoas são desafiadas a lidar sabiamente com questões financeiras. Isto nos leva a uma inequívoca declaração de que fé e finanças possuem muito mais relação do que apenas a questão tão estigmatizada dos dízimos e ofertas. Outro aspecto que desejo mencionar é quanto à relação entre integridade, trabalho e fé no reflexo de nossa vida financeira. Hoje em dia é muito comum a busca da fé que gera prosperidade financeira. contudo, a bíblia nos ensina que mais importante do que prosperarmos é como isso acontece. Há integridade no meu caráter e nas minhas negociações? Não me refiro apenas a grandes investimentos ou transações, mas a pequenas e às vezes anônimas atitudes que revelam meu caráter quando não estou sendo observado. “A justiça do íntegro endireita o seu caminho, mas pela sua impiedade cai o perverso” (Pv.11:5).

    Outra questão muito importante é o trabalho. “Os bens que facilmente se ganham, esses diminuem, mas o que ajunta à força do trabalho terá aumento”. (Pv.13:11). Não há do ponto de vista bíblico, a possibilidade de alguém ser prospero financeiramente, sem que isso seja fruto de trabalho e competência. Na ética de Deus não cabe existir uma “loteria celestial”, embora, essa realidade pareça surgir na vida de muitos que declaram que da noite para o dia simplesmente ficaram ricos. Deixemos que a receita Federal se encarregue de explicar tal milagre. E finalmente, além da integridade e do trabalho, é preciso muita fé para não se amar o dinheiro. “Os que querem ficar ricos caem em tentação e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e na perdição. Porque o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males; e alguns nessa cobiça, se desviaram da fé, e a si mesmos se atormentaram com muitas dores”. ( I Tm. 6:9,10). Que Deus nos ajude.

 

 

Direito a quê?

 

Pr. Elvis Kleiber

 

    Desde o final de semana passado nossa Igreja entrou em clima de referendo. Substituímos o estudo do livro de Apocalipse por um debate sobre desarmamento e proibição de venda de armas de fogo e munição. Por sinal, acho que alguns irmãos nem sentiram muita diferença, pois pela maneira como as informações são veiculadas para a população, esse último tema parece ter se transformado em uma espécie de juízo final. De um lado defendendo o desarmamento tivemos o jornalista e teólogo Laércio Pedro e do outro o promotor aposentado Gilberto Caetano, ambos de nossa paróquia. Confesso que me senti completamente confortável na posição de mediador desse debate. Primeiro pela postura ética que minha posição requer, mas também pelo fato de que vejo o “exercício desse direito” de maneira completamente incrédulo a muitos argumentos que até agora tenho lido e ouvido.

    Quais os direitos estarão sendo defendidos? De quem são esses direitos? Quem os respeitará? Quem fiscalizará o cumprimento de tais direitos? Observem que não estou entrando no mérito da questão da proibição ou não, e sim, no jogo político e nos interesses econômicos e ideológicos que estão por trás de mais uma tentativa de colocar sobre a população a responsabilidade pela ineficiência de qualquer que seja os resultados da proibição ou não da venda de armas. Afinal, o povo precisa acreditar que estamos em país democrático, em que “nossos direitos” são respeitados. E para isso, nada melhor do que esse tipo de manobra política chamada de voto.

     Fico pensando... porque não há um referendo sobre a obrigatoriedade ou não do voto? Você caro leitor está satisfeito em não ter o direito de não querer votar seja em qual for à eleição? Imaginem queridos, estamos diante de um referendo onde há vários argumentos sobre os “nossos direitos” e que na verdade nos privam do livre arbítrio de decidirmos se queremos ou não exercê-lo. As contradições não param por aí, os favoráveis a proibição falam dos “direitos garantidos no estatuto do desarmamento” e eu pergunto: quantos eleitores votarão conhecendo tal estatuto? O que há de verdade nas informações que são transmitidas sobre o referido estatuto? Pois, recentemente foi tirada do ar por meio de liminar uma espécie de “propaganda enganosa” sobre o estatuto. Os favoráveis a proibição, também pouco dizem sobre a contribuição que o estatuto do desarmamento trará contra o crime e a bandidagem. A idéia é que esse tipo de “Direito” será estudado depois, talvez pelo Ministro da defesa que além de vice-presidente da república é empresário. Ou seja, não entende nada sobre a pasta que assumiu.

     Será que esses “direitos” não estão no mesmo patamar dos vários outros estatutos existente no país e que já nos acostumamos com sua ineficácia? Do outro lado, aqueles que são contra o desarmamento e consecutivamente a favor da venda de armas, insistem em querer nos convencer de que também estamos defendendo “nossos direitos”. Direito a que? A continuar dando lucro aos que fabricam as armas? Ou seria o direito de provar que nem todo cidadão que possui arma é um homicida? Confesso que também ainda não entendi quais os direitos que tal posição defende, a não ser o inalienável direito a legítima defesa. Mas até esse direito, o próprio Estado se encarrega de nos privar quando rouba-nos a dignidade que as condições mínimas de sobrevivência poderiam dar a população. É necessário maior privação a legítima defesa do que a falta de Escola, de moradia, de saúde, de salários justos, e de uma vida digna?

     Querido leitor sei que fiz muito mais perguntas do que esclarecimentos, mas confesso que tais questionamentos me levam a concluir que nada sei e que preciso da orientação Divina para tomar decisões. Espero que os resultados do referendo nos surpreenda e que possamos viver dias em que acreditemos que temos direitos e que eles são respeitados. Um forte abraço e vamos ao debate e ao “Direito do voto”.

 

 

O nosso sofrimento indígena

 

Pr. Elvis Kleiber

 

     A recente reportagem veiculada no programa “Fantástico” no domingo passado me fez pensar na intrigante capacidade da emissora ao associar as Missões evangélicas aos índios, sempre o fazer de maneira pejorativa. Todos sabemos que a priori, os índios foram explorados por todos os cristãos no período colonial. No entanto, a exploração que eles são submetidos hoje, não é essencialmente religiosa e cultural, e sim, semelhante ao descaso social em que milhões de brasileiros também são vítimas. Mas a reportagem foi tão tendenciosa, que ao menos citou outras iniciativas sociais que Missão JOCUM (Jovens com uma Missão) possui entre os indígenas. E, diga-se de passagem, as obras filantrópicas e sociais realizadas entre os índios por várias entidades religiosas em todo o país são muito mais eficazes que os projetos paliativos do governo e com a vantagem de não receberem propina exatamente por não se comprometerem politicamente com qualquer bandeira partidária. Isso sim, incomoda.

     Às vezes penso que quando falamos sobre os índios estamos em outro país muito mais desenvolvido e completamente distante de nossa realidade dita “civilizada”. Acontece que as mazelas que cercam os índios são as mesmas que com o passar do tempo e em decorrência da hipocrisia dos governantes, acabamos por nos acostumar a convivermos pacificamente, a final, somos diferentemente dos índios um povo “civilizado”. Acontece que qualquer olhar mais crítico sobre esse assunto, desnudará a triste realidade de que as nefastas pragas sociais que cercam os índios são as mesmas que estão ao nosso redor. Claro que em certo sentido, por serem minoria e viverem extremamente fragilizados quanto à manutenção de seus costumes e cultura, eles sofrem todo tipo de exploração.

     Ainda bem, que a “falta de civilidade” poupa os índios de outros sofrimentos que estamos acostumados a conviver, tais como: ver aposentados com a saúde já debilitada dormir ao relento nas portas dos INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social), em busca de dignidade que o tempo parece querer negar-lhes. Os índios também estão livres da dor da desilusão política que o voto obrigatório impõe-nos. Mas também há muitas semelhanças. Como acontece em toda nossa História, eles continuam morrendo a mingua sem qualquer tipo de assistência como muitos outros brasileiros. Esse foi o tema de um artigo que escrevi nesta coluna (A Tarde 31/03/2005), quando chamava atenção para as mortes dos indiozinhos no Mato Grosso do Sul. Naquela época, uma Comissão Externa da Câmara dos Deputados, proposta pela deputada Perpétua Almeida (PCdoB/AC) investigava os casos para descobrir os motivos das mortes das crianças e apontar soluções emergenciais para o fato não se repita.

     Apesar de não sabermos o que de fato foi apurado até o presente momento, naquela região existe um Hospital mantido pela Missão Evangélica Kaiowá chamado de Porta da Esperança que há 70 anos vem recebendo doentes indígenas. A exploração dos indígenas é a mesma que também nos assola. É a exploração social e não religiosa que faz a desnutrição ser um problema estrutural nos locais onde vivem os índios, exigindo políticas públicas que possam dar resposta imediata ao problema. Dizer que as Missões evangélicas se aproveitam disso para “alienar” os índios e afastá-los de sua cultura, é querer “tapar o sol” com a peneira.

     Conheço pessoalmente o trabalho da JOCUM, e sei que seus líderes são pessoas sérias que não fazem da fé um instrumento de barganha como outros evangélicos. Se os queridos leitores quiserem comprovar o que digo, procurem os moradores vizinhos da base da Missão aqui em Salvador, localizada na fazenda casanges em São Cristóvão, e ouçam o que eles dizem sobre o trabalho que é desenvolvido na comunidade. Vejam se católicos, espíritas e os seguidores das religiões de matizes africanas são ou não bem recebidos e atendidos pelos diversos projetos desenvolvidos pela Missão.